A obsessão pelo bronzeado: por que jovens estão usando spray nasal para “pegar cor”
Sprays nasais vendidos como um atalho para “pegar cor sem sol” voltaram a circular com força nas redes sociais em 2025, especialmente em vídeos curtos direcionados a um público jovem. Os produtos, geralmente comercializados online, prometem estimular o bronzeado sem exposição direta ao sol, mas têm chamado a atenção de especialistas por envolverem substâncias absorvidas pelo organismo e por não serem regulamentados como medicamentos ou cosméticos em diversos países.
Com a chegada do verão e das férias no Brasil, esse tipo de promessa ganha ainda mais espaço. A busca pelo corpo bronzeado se intensifica justamente em um período de maior exposição solar e pressão estética, criando um cenário propício para o retorno de práticas que já haviam sido alvo de alertas internacionais em anos anteriores.
A dermatologista Denise Ozores (CRM-SP 101677 | RQE 7349), especialista em beleza natural, explica que muitos desses sprays estão associados à substância Melanotan II, que estimula artificialmente a produção de melanina. “Estamos falando de um produto inalado, que vai direto para a corrente sanguínea, sem controle de dose ou segurança comprovada. A pessoa não sabe exatamente o que está absorvendo nem como o corpo vai reagir”, afirma.
Na prática clínica, a médica observa que o uso do spray costuma gerar um efeito contrário ao esperado. “A pessoa acredita que está ‘protegida’ ou preparada para o sol e acaba se expondo mais. Isso aumenta o risco de manchas, sensibilidade e danos que não aparecem de imediato”, diz. Há relatos internacionais de efeitos adversos como náuseas, alterações em pintas e reações cutâneas, o que reforça a preocupação médica.
Para Denise, o retorno do spray nasal está diretamente ligado à lógica das redes sociais. “Existe uma cultura do atalho estético, da promessa de resultado rápido e sem consequência. Mas quando falamos de pele, isso não existe”, alerta. Ela lembra que o bronzeado, mesmo o chamado natural, já é uma resposta de defesa da pele à agressão solar. “A pele tem memória. O dano de hoje pode aparecer daqui a alguns anos.”
Quando o objetivo é apenas estético, a dermatologista indica alternativas mais seguras. “Hoje existem autobronzeadores e sprays corporais aprovados, que atuam só na superfície da pele e não envolvem sol nem substâncias absorvidas pelo organismo”, orienta. Ainda assim, ela reforça a importância do básico. “Protetor solar diário e exposição consciente continuam sendo indispensáveis.”
Para a médica, o alerta vai além de uma moda que reaparece. “O bronze passa. A mancha, o envelhecimento precoce e o risco ficam”, conclui.
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