'Oscar não pode ser única medida de sucesso do nosso cinema', aponta Kleber Mendonça Filho
Kleber Mendonça Filho falou aos jornalistas brasileiros no tapete vermelho dos Prêmios Platino XCARET 2026 – onde O Agente Secreto venceu oito estatuetas, incluindo Melhor Filme –, e refletiu sobre o andar do ano no cinema nacional.
REPÓRTER: Kleber, como você vê o crescimento do cinema latino? É possível a gente fazer frente ao cinema norte-americano e europeu juntos?
MENDONÇA: Eu nunca me coloco na posição de fazer frente ao cinema americano, eu acho que é muito interessante ver que O Agente Secreto, com dois milhões e meio de espectadores no Brasil, foi uma bilheteria maior do que todos os outros concorrentes americanos de melhor filme esse ano. Isso não é algo que era um objetivo, apenas algo que eu vejo e digo: "uau, isso aconteceu", né? Mas não era um objetivo. Então, eu acho que a melhor coisa é a gente se juntar, a gente fazer os filmes que são nossos e garantir que eles cheguem ao cinema da melhor maneira possível. Eu acho que a sala de cinema continua sendo o lugar onde filmes constroem sua personalidade e, até onde eu conseguir, eu vou continuar trabalhando para que eles passem em salas de cinema.
REPÓRTER: Depois de dois anos tão bons, começou 2026 e as perspectivas de premiação ainda não apareceram. Como você vê essa expectativa, acha que estamos num momento de baixa?
MENDONÇA: Em primeiro lugar, eu não acho que nós devemos ficar cobrando um novo sucesso do cinema brasileiro. Acho que existem vários tipos de sucesso que podem ser medidos – e o sucesso do Oscar, do Globo de Ouro e de Cannes são apenas as maneiras socialmente aceitas de medir sucesso. Mas elas não devem ser perseguidas como um objetivo absoluto. O cinema brasileiro continua muito diverso, muito vivo e com muitas histórias que estão aí para serem descobertas. Alguns filmes furam a bolha e se tornam sucessos reconhecidos fora do Brasil, mas isso não significa que um ano onde um filme não vai para Cannes signifique que o cinema brasileiro está mal.
Ambientado em Recife, em 1977, o longa acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna a Recife após anos fora em busca de paz, apenas para descobrir que sua cidade natal esconde perigos e segredos inquietantes.
O elenco do thriller político reúne ainda grandes nomes do cinema brasileiro, incluindo Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Carlos Francisco, Alice Carvalho, Roberto Diogenes, Hermila Guedes, entre outros. Udo Kier, de Bacurau, também está no filme. A direção é de Kleber Mendonça Filho (Bacurau), que também assina o roteiro.
No Festival de Cannes deste ano, O Agente Secreto teve um resultado histórico levando para casa dois troféus: Kleber Mendonça Filho venceu o prêmio de Melhor Direção, e Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator.
O Agente Secreto disputou quatro categorias no Oscar 2026, mas saiu sem nenhuma estatueta. A produção foi indicada a melhor filme, melhor filme internacional, melhor direção de elenco e melhor ator com Wagner Moura representando o Brasil.
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