Tarcísio reforça candidatura à reeleição em São Paulo e visita Bolsonaro na quinta (29)
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que visitará Jair Bolsonaro na Papudinha, onde o ex-presidente está preso em Brasília, na próxima quinta-feira (29). O anúncio acontece após o gestor estadual adiar o encontro previsto para esta semana.
Na publicação, Tarcísio ainda reafirma que será candidato à reeleição do governo de São Paulo - e não à Presidência da República, como vem sendo especulado.
Cancelamento da visita e tensão nos bastidores
O compromisso foi originalmente marcado para esta quinta-feira (22), mas acabou cancelado na noite de terça-feira (20), após ter sido confirmado publicamente horas antes, durante uma agenda do governador no interior paulista.
A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e estava prevista para ocorrer entre 8h e 10h da manhã. Mesmo assim, a agenda oficial divulgada pelo Palácio dos Bandeirantes passou a indicar apenas despachos internos do governador no período da tarde, sem compromissos públicos ou reuniões nominais no horário reservado para o encontro.
Tarcísio decidiu adiar a visita após declarações do senador Flávio Bolsonaro ao jornal O Globo, nas quais afirmou que o governador deveria aproveitar a conversa com o pai para garantir apoio explícito à sua pré-candidatura presidencial e comunicar, de forma definitiva, a decisão de disputar a reeleição em São Paulo.
Em nota, o governo paulista informou apenas que a visita seria remarcada por “compromissos em São Paulo”, sem detalhar quais agendas motivaram o cancelamento. Nos bastidores, fontes do Palácio dos Bandeirantes avaliam que a ausência de compromissos públicos funcionou como um recado à família Bolsonaro. Interlocutores afirmam que Tarcísio ficou desconfortável com a pressão pública para declarar apoio explícito à pré-candidatura de Flávio ao Planalto, sobretudo via redes sociais.
Pessoas próximas ao governador relatam que a visita teria inicialmente o objetivo de prestar solidariedade pessoal a Bolsonaro e tratar dos próximos passos para viabilizar a transferência do ex-presidente para prisão domiciliar. Segundo relatos, o cancelamento ocorreu após a declaração do “01” de que a conversa poderia ser usada para “enquadrar” politicamente o governador.
Racha na direita e reação de aliados
O adiamento da visita também aprofundou o racha interno na direita, que passou a adotar diferentes tons em meio ao receio de inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O cancelamento do encontro foi interpretado pelo núcleo mais próximo a Bolsonaro como um gesto de distanciamento, reacendendo disputas públicas e nos bastidores sobre quem deve liderar o campo conservador em 2026, em oposição à candidatura de Lula à reeleição.
Flávio Bolsonaro chegou a dizer que o encontro serviria para reforçar ao governador a orientação de disputar a reeleição em São Paulo, o que teria irritado Tarcísio.
Nesta quinta (21), o ex-vereador Carlos Bolsonaro publicou nas redes sociais um apelo à união e ao amadurecimento, afirmando que o foco da família está na recuperação de Bolsonaro e defendendo coesão para garantir mudanças políticas. Ele destacou que “o mais importante não é ter razão, mas garantir que o povo participe cada vez mais da construção daquilo que deseja”.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, buscou reduzir a tensão, elogiou Tarcísio e afirmou que o conflito com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, surgiu de uma frase tirada de contexto, cobrando união da centro-direita contra o PT. Em tom mais duro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro disse que Tarcísio “não tem a opção” de se contrapor à candidatura do irmão Flávio.
Estratégias e articulações para 2026
Nos bastidores, o Centrão avalia que o adiamento da visita foi uma tentativa de ganhar tempo diante da indefinição da direita. Dirigentes partidários demonstram resistência à candidatura de Flávio e veem Tarcísio como nome com maior potencial eleitoral, estimulando o governador a ampliar conversas nacionais, dialogar com empresários e ouvir marqueteiros, mesmo mantendo publicamente o discurso de que buscará a reeleição por São Paulo.
A disputa também afeta a relação entre direita e centro. O Republicanos saiu em defesa de Tarcísio após críticas do PL, enquanto partidos como União Brasil, PSD e MDB ainda evitam se comprometer com Flávio.
O filho do ex-presidente escalou o ex-ministro de Bolsonaro e senador Rogério Marinho como coordenador da campanha, o que fez o parlamentar abrir mão da tentativa de se candidatar ao governo do Rio Grande do Norte. Marinho afirmou que a decisão foi tomada a pedido direto de Bolsonaro e publicou nas redes sociais um vídeo de Flávio dizendo que pretende “resgatar o país do partido das trevas”.
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