Crédito imobiliário cresce 37,5%; especialista explica como aluguel e valorização podem ampliar retorno de investidores
O crédito imobiliário movimentou R$ 132,5 bilhões no Brasil entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 37,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O levantamento considera operações com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que financiaram 384,6 mil imóveis para aquisição ou construção no período. O avanço ocorreu mesmo com os juros elevados: em setembro, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano.
Em Maceió, os preços anunciados dos imóveis residenciais continuam subindo. O Índice FipeZAP de setembro apontou alta de 5,41% em 12 meses, com valor médio de R$ 10.061 por metro quadrado. Na Ponta Verde, um dos bairros mais valorizados da capital, a média chegou a R$ 11.729. A combinação entre expansão do financiamento e valorização imobiliária coloca em discussão não apenas o momento da compra, mas o retorno que um imóvel pode oferecer ao proprietário.
Para o especialista em mercado imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, a redução dos juros pode ampliar a capacidade de financiamento, mas não significa que os preços dos imóveis cairão na mesma velocidade. A maior disponibilidade de crédito pode estimular a procura, enquanto a oferta de unidades e as condições de cada região influenciam os valores de venda.
“Quando o crédito melhora, mais pessoas conseguem comprar. Só que isso não significa que os imóveis ficam automaticamente mais baratos. Se a demanda cresce e a oferta não acompanha, os preços podem continuar subindo. Por isso, quem pretende investir precisa olhar não apenas para os juros, mas para o potencial de renda e valorização daquele patrimônio”, explica.
Rentabilidade imobiliária - Um apartamento de dois quartos na Ponta Verde, adquirido por R$ 440 mil há três anos, é um exemplo apresentado por Lauro sobre a combinação entre locação e valorização patrimonial. Segundo o especialista, a unidade tem potencial para gerar R$ 100 mil líquidos por ano com aluguel por temporada e atualmente possui valor de mercado estimado acima de R$ 800 mil.
Se confirmado esse resultado anual, o rendimento corresponderia a aproximadamente 22,7% do preço original de aquisição, antes de considerar eventuais custos de compra e financiamento não incluídos na estimativa. Já a valorização patrimonial estimada supera 81% em três anos. Os números se referem ao caso relatado pelo especialista e não representam a rentabilidade média dos apartamentos de Maceió.
“Quando alguém olha apenas para o aluguel, está enxergando uma parte do investimento. Existe a renda que o imóvel pode produzir e existe a valorização do patrimônio. Nesse exemplo, o apartamento foi comprado por R$ 440 mil e hoje tem valor estimado superior a R$ 800 mil. Mas não é todo imóvel que entrega esse resultado. O segredo está em comprar bem e entender a demanda daquela localização”, afirma Lauro.
Para avaliar o potencial de renda com locação por temporada, o investidor precisa considerar a diária média, a taxa de ocupação ao longo do ano e os custos de operação. Condomínio, energia, limpeza, administração, manutenção, tributos e períodos sem hóspedes interferem diretamente no resultado. Se houver financiamento, o valor das prestações também precisa entrar no planejamento financeiro.
“Uma diária alta no verão não garante boa rentabilidade no ano inteiro. O que interessa é quanto o apartamento realmente ocupa, quanto custa mantê-lo e o que sobra para o proprietário. Um imóvel pode faturar muito e entregar um retorno pequeno se foi comprado caro ou tem despesas elevadas”, observa.
Decisão de compra - O crescimento do crédito também não depende exclusivamente da queda da Selic. A disponibilidade de recursos nos bancos, as condições de financiamento e as mudanças nas regras do sistema influenciam o volume de operações. A Abecip apontou a liberação de depósitos compulsórios entre os fatores que contribuíram para a expansão registrada em 2026.
Para Lauro, acompanhar a evolução dos financiamentos, os preços praticados e a demanda por locação permite uma análise mais completa do momento de compra. “O imóvel não é apenas uma conta financeira. É um patrimônio que pode gerar renda, ser utilizado pelo proprietário e se valorizar ao longo do tempo. Mas essas possibilidades precisam ser avaliadas separadamente. Comprar porque os juros caíram ou porque uma região está valorizando não é estratégia suficiente. O investimento precisa fazer sentido desde a aquisição”, conclui.
Últimas Notícias
Ricardo Nezinho consolida apoio de 23 deputados e pode ser o novo presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas
Justiça condena empresa e administradora por destruição de manguezal em Marechal Deodoro
Consultas por lesões pré-cancerígenas caem após vacina contra HPV
Profissões em alta para 2027: veja cargos com salários de até R$ 93,5 mil
Crédito imobiliário cresce 37,5%; especialista explica como aluguel e valorização podem ampliar retorno de investidores
Vídeos mais vistos
Julgamento de escultor, em Arapiraca
Homem que conduzia motocicleta pela contramão morre ao ter veículo atingido por carro, em Arapiraca
Inauguração do Restaurante Popular
Prefeitura entrega óculos em Arapiraca

