Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro barra candidatura de esposa de traficante foragido de Alagoas

Por Redação 11/09/2026 19h07
Por Redação 11/09/2026 19h07
Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro barra candidatura de esposa de traficante foragido de Alagoas
Mariana de Souza teve a candidatura barrada pelo TRE RJ - Foto: Assessoria

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu, por unanimidade, indeferir a candidatura de Mariana de Souza (PP) à Câmara dos Deputados, apontada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) como esposa de um traficante foragido da Justiça e apontado pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) como o número dois do Comando Vermelho (CV).

A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 11, e atende a um pedido de impugnação apresentado pelo MPE, que sustenta a existência de vínculos entre a candidatura e integrantes da cúpula da facção criminosa Comando Vermelho. Apesar do revés, Mariana ainda pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Durante o julgamento, o presidente do TRE-RJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares, afirmou que a decisão representa uma resposta firme da Justiça Eleitoral ao avanço do crime organizado sobre a política. "Mais uma vez, o tribunal está dando uma resposta ao crime organizado", declarou.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, relatórios de inteligência apontam "vínculos profundos" entre a candidata e o traficante, condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por tráfico de drogas e a mais 12 anos e 7 meses por associação para o tráfico. Atualmente, ele está foragido e possui mandados de prisão em aberto.

A Procuradoria também afirma que Mariana teria ocultado o rosto do companheiro em publicações nas redes sociais, além de ter recebido doações eleitorais de pessoas e empresas com suposta ligação ao Comando Vermelho.

Outro elemento apresentado pelo MPE envolve uma empresa registrada em nome da candidata que funciona ao lado de outra companhia que, segundo a ação, teria sido aberta pelo traficante utilizando identidade falsa. Para os investigadores, existem indícios de que ambas possam ter sido utilizadas em um esquema de lavagem de dinheiro.

O Ministério Público também destacou movimentações financeiras consideradas suspeitas em seis contas bancárias atribuídas a Mariana, apontando indícios de fracionamento de valores. O órgão ressalvou, no entanto, que esses dados, isoladamente, não comprovam a origem ilícita dos recursos.

A votação obtida por Mariana nas eleições municipais de 2024 também foi usada como argumento pela Procuradoria. Na ocasião, quando disputou uma vaga de vereadora pelo PDT, 81,3% dos 1.451 votos recebidos ficaram concentrados em bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro apontados como áreas de domínio do Comando Vermelho, incluindo o Complexo da Penha.

Além disso, o MPE citou R$ 14 mil em doações realizadas por dez pessoas que moram ou já moraram nessas regiões, algumas delas com registros criminais ou sem renda formal compatível com os valores doados.