Dia do Profissional de Educação Física: Conselho Regional alerta para os riscos de copiar treinos de influenciadores

Por Assessoria 31/08/2026 09h09
Por Assessoria 31/08/2026 09h09
Dia do Profissional de Educação Física: Conselho Regional alerta para os riscos de copiar treinos de influenciadores
Academias - Foto: Reprodução da Internet

No dia 1º de setembro, quando é celebrado o Dia do Profissional de Educação Física, o Conselho Regional de Educação Física de Alagoas (CREF19/AL), em parceria com o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), chama a atenção para um comportamento cada vez mais comum nas redes sociais: copiar treinos indicados por influenciadores sem a orientação de um profissional habilitado.

Com a campanha “Copiar treinos de influenciadores traz riscos graves à saúde”, as entidades alertam que seguir exercícios encontrados na internet sem considerar as características, limitações e objetivos individuais pode aumentar o risco de lesões e outros problemas de saúde.

O presidente do CREF19/AL, Stanley Magalhães, destaca que a prática é comum, mas pode trazer consequências sérias. “As pessoas precisam entender que cada corpo tem suas particularidades e que é o profissional de Educação Física quem está habilitado para avaliar, orientar e elaborar um treinamento adequado aos objetivos e às condições de cada aluno. Copiar um treino sem esse acompanhamento pode trazer riscos à saúde e, dependendo da lesão, consequências irreversíveis”, afirma.

O preço de seguir um treino sem orientação profissional

No carnaval de 2025, quando sua academia estava fechada, a pesquisadora Tainá Andrade abriu o YouTube e buscou por “treino de inferiores”. Agacha, chuta, levanta. A sequência de exercícios prescrita por uma influenciadora não deixou Tainá com as pernas mais fortes para curtir os blocos de rua, mas provocou uma grave crise de coluna. O resultado foram cinco dias de cama e duas semanas de dores intensas, amenizadas apenas com injeções, remédios e fisioterapia: “Não conseguia me mover direito, só conseguia ficar deitada. Doía muito mesmo, nível 10 de dor”, lembra.

A pesquisadora já tinha na sua rotina a prática de exercícios, como Pilates, natação e musculação, sempre sob a orientação de um profissional de Educação Física — o que garantia treinos sem sobrecarga e livres de complicações. Os exercícios da influenciadora, no entanto, desencadearam uma condição que Tainá desconhecia: uma hérnia de disco, confirmada em 2026 por exames de imagem. Hoje, após o trauma, ela não se deixa mais influenciar: “Acredito ser perigoso pegar treino na internet justamente porque não é algo individualizado”, declara.

Outro ponto relevante, que Stanley ressalta é prescrever e orientar atividade física sem possuir capacitação técnica atestada pelo registro no CREF, incorre em exercício ilegal da profissão, uma contravenção penal.

Qual a diferença entre copiar o treino de um influenciador e seguir um profissional que compartilha aulas nas redes sociais?

Ao compartilhar uma aula na internet, o Profissional de Educação Física considera a diversidade do público que poderá praticá-la. 

Sabendo que muitos praticantes podem não ter experiência ou condicionamento adequado, ele elabora treinos com movimentos menos complexos e de menor risco.

Já o influenciador, por não ter conhecimento técnico, não tem habilidade para avaliar o que pode ou não ser prescrito a diferentes perfis — como pessoas cardíacas, diabéticas, gestantes, iniciantes ou com lesões prévias e problemas ósseos. Ainda que alguns influenciadores contem com acompanhamento profissional para executar corretamente seus próprios treinos, eles não receberam instrução científica para orientar a prática desses movimentos. Muitos acabam ensinando exercícios — até mesmo os mais básicos — de forma incorreta, aumentando exponencialmente o risco de lesões e complicações de saúde em seus seguidores.