Você tem fimose? O que é a condição que transforma o sexo em agonia para milhares de homens
Muitos homens passam por isso, porém, poucos se sentem à vontade para falar sobre o assunto. Muitos, por preconceito e até pelo tabu criado em torno do tema: fimose. A condição é caracterizada quando a pele do pênis (prepúcio) não pode ser totalmente retraída sobre a glande do pênis.
Especialistas afirmam que é muito comum em bebês e meninos pequenos. Normalmente, a pele toda do prepúcio é retraída na adolescência. No entanto, em idades maiores, a fimose pode tornar o sexo uma agonia. E, se muito agravada, pode levar a lacerações dolorosas no prepúcio e até dificultar a manutenção da ereção.
“Muitas pessoas não sabem que a fimose pode afetar os homens, talvez porque os homens que sofrem com ela geralmente preferem não falar sobre o assunto. Muitos dos homens que me procuram com esse problema — geralmente jovens ou de meia-idade — ficam constrangidos em falar sobre isso. Provavelmente, eles adiaram a busca por ajuda médica por meses, resistindo bravamente e esperando que o problema desaparecesse”, explica Philippa Kaye, médica de clínica geral, escritora e apresentadora de TV ao "Daily Mail".
Segundo a especialista, muitos homens ainda escondem de parceiras ou parceiros, que não entendem por que eles se recusam a ter relações sexuais.
O que causa?
Em muitos homens, a condição pode ser a continuação de um problema que começou na infância. Alguns chegam à idade adulta com o prepúcio mais apertado do que a média. Em outros casos, a fimose pode ser desencadeada por infecções fúngicas repetidas – como candidíase vaginal – ou por irritação causada por sabonetes e géis de banho.
Existem dois tipos de fimose. Há a fisiológica (congênita), natural em bebês e crianças pequenas; com o crescimento e os movimentos naturais, a pele tende a se soltar sozinha ao longo dos primeiros anos. E há a fimose adquirida, que surge mais tarde na vida e é geralmente provocada por infecções repetidas (como balanopostite), inflamações ou traumas; esses fatores causam cicatrizes e deixam a pele mais rígida e menos elástica.
Existe também uma condição chamada líquen escleroso, uma doença inflamatória crônica da pele, que resulta em manchas finas e brancas que podem deixar cicatrizes e causar fimose.
A fimose também está ligada a diabetes – que aumenta o risco de infecções fúngicas recorrentes – e à idade avançada, quando a pele perde a sua elasticidade.
Mas, independentemente da causa, muitas das soluções são as mesmas.
“Uma boa higiene é fundamental. Os pacientes devem se lavar diariamente com água e um sabonete sem perfume e não irritante. Eles também devem evitar o uso de qualquer produto perfumado, incluindo desodorantes, talco ou cremes antissépticos, no pênis. Esses produtos podem inflamar a pele e piorar a fimose”, explica Kaye.
A médica ainda diz que a falta de limpeza adequada da área pode levar a infecções graves, piorando a dor e o inchaço. “Se for possível retrair o prepúcio delicadamente, o ideal é fazê-lo durante um banho ou ducha morna, quando a pele está mais flexível”, diz.
A área deve então ser cuidadosamente seca, pois a umidade retida aumenta o risco de inflamação e infecção adicionais. Roupas íntimas folgadas ajudam a reduzir o atrito e a irritação ao longo do dia.
Tratamento
O tratamento depende da idade, do grau de estreitamento e da presença de infecções.
Para adultos com fimose leve a moderada que não apresentem cicatrizes graves, o tratamento médico de primeira linha é um creme esteroide tópico. Ele age amolecendo e soltando gradualmente o tecido do prepúcio, facilitando a retração com o tempo. Em crianças pequenas, a indicação costuma ser apenas observar e aguardar o desenvolvimento natural.
Em último caso, há a cirurgia (postectomia ou circuncisão) para a remoção total ou parcial do prepúcio, expondo a glande de forma definitiva. É o método mais comum e definitivo para adultos e para os casos em que o tratamento clínico não funciona em crianças.
“Há muitos conselhos on-line sugerindo que exercícios diários de alongamento resolvem a fimose. Esses exercícios envolvem levantar e puxar a pele repetidamente. No passado, esses exercícios eram apoiados por médicos e frequentemente recomendados por clínicos gerais. Mas a Associação Britânica de Cirurgiões Urológicos já não apoia essa abordagem. Isso ocorre porque o estiramento forçado repetido causa microlesões na pele, e, à medida que cicatrizam, deixam tecido cicatricial – o que pode apertar ainda mais o prepúcio, em vez de afrouxá-lo”, explica Kaye.
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