Acidentes de moto mantém alerta no HGE e evidenciam a urgência da prevenção no trânsito
A pressa do dia a dia, a imprudência e a sensação de que “é só um trajeto rápido” ajudam a formar um cenário que se repete diariamente nas ruas e avenidas da capital e do interior de Alagoas: motociclistas chegando ao hospital após acidentes que, em muitos casos, poderiam ser evitados. No Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, referência em urgência e emergência, os números acendem um sinal de alerta.
De janeiro a abril deste ano, a unidade registrou 2.178 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito. Desse total, 827 envolveram motocicletas, o equivalente a quase quatro em cada dez ocorrências. No mesmo período do ano passado, foram 1.901 atendimentos, sendo 742 acidentes de moto. O comparativo aponta crescimento tanto no número geral de vítimas quanto nas ocorrências envolvendo motociclistas.
Quando a análise se amplia para os dados anuais, o cenário se mantém preocupante. Em 2025, o HGE contabilizou 5.943 acidentes de trânsito, com 2.429 casos envolvendo motocicletas. Em 2024, foram 5.525 ocorrências, das quais 2.113 relacionadas a motos.
“Esses números confirmam uma realidade conhecida nas unidades de emergência: a motocicleta segue entre os meios de transporte mais vulneráveis no trânsito e exige atenção redobrada de quem pilota e também de motoristas de carros e veículos maiores”, salientou o cirurgião geral do HGE, Amauri Clemente.
Para o médico, entre as principais causas dos acidentes estão o excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, desrespeito à sinalização, uso do celular ao volante, ingestão de bebida alcoólica e a falta de equipamentos de proteção adequados. A rotina intensa e o aumento do uso da motocicleta como instrumento de trabalho também contribuem para a exposição diária aos riscos.
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“As consequências costumam ser graves. Fraturas, traumas cranianos, lesões ortopédicas e ferimentos extensos estão entre os atendimentos frequentes. Em situações mais severas, o acidente pode resultar em longos períodos de internação, cirurgias e necessidade de reabilitação”, acrescentou o especialista.
Os impactos vão além do físico
Depois da alta hospitalar, muitas vítimas enfrentam dores persistentes, limitações de mobilidade e mudanças bruscas na rotina. Também não são raros os casos em que surgem medo de voltar a pilotar, ansiedade e insegurança após o trauma. O reflexo chega ainda ao ambiente familiar e ao trabalho, quando o motociclista precisa se afastar das atividades ou perde temporariamente a autonomia, toda a rede de apoio acaba sendo impactada.
“Usar capacete com afivelamento correto, vestir equipamentos de proteção, respeitar limites de velocidade, manter distância segura dos outros veículos, evitar o uso do celular e nunca pilotar sob efeito de álcool”, recomendou Amauri Clemente. “A atenção também precisa ser coletiva. Um trânsito mais seguro depende do comportamento de todos”, frisou.
No HGE, a chegada constante de vítimas lembra diariamente que, muitas vezes, alguns segundos de imprudência podem gerar consequências para toda a vida. E que escolher a prudência no trânsito continua sendo a forma mais eficaz de preservar vidas.
“Nós cumprimos diariamente a nossa missão de acolher, atender com agilidade e oferecer assistência especializada às vítimas de acidentes de trânsito. Temos equipes multiprofissionais altamente capacitadas, que atuam com compromisso, técnica e sensibilidade desde a entrada do paciente até a sua recuperação”, recordou o diretor-médico, Miquéias Damasceno.
Contudo, a direção do HGE destaca o trabalho dedicado de todos os nossos profissionais, que enfrentam essa realidade com responsabilidade e empenho. No entanto, é fundamental lembrar que a prevenção começa fora do hospital.
“Cada cidadão tem um papel importante na construção de um trânsito mais seguro. Respeitar as leis, usar os equipamentos de proteção e agir com prudência são atitudes que preservam vidas e ajudam a reduzir o número de acidentes que chegam diariamente à nossa unidade”, enfatizou o diretor médico do HGE.
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