Em ritmo de Copa: por que jogadores mudam completamente a alimentação antes do Mundial
“Quando o jogador entra em ritmo de Copa, a comida passa a ser tratada quase como parte do treino”, afirma a chef Cândida Batista
Mais leve, mais controlada e sem excessos: em ano de Copa do Mundo, a alimentação dos jogadores passa por mudanças rígidas para suportar desgaste físico, calor e recuperação muscular entre partidas. Com a convocação da Seleção Brasileira anunciada por Carlo Ancelotti, o tema voltou aos bastidores do futebol internacional e ganhou análise da chef brasileira Cândida Batista, que vive há 20 anos na Europa e atualmente integra a equipe de um restaurante selecionado pelo Guia Michelin em Viena, na Áustria.
Com a lista definida, jogadores como Neymar, Vinícius Júnior, Raphinha e Endrick já entraram em uma rotina mais rígida de preparação física e alimentar antes do início do Mundial. Especialistas em nutrição esportiva reforçaram nas últimas semanas a importância de refeições leves, hidratação intensa e recuperação rápida entre jogos, principalmente diante das previsões de calor extremo e umidade em parte das partidas da Copa de 2026.
Acostumada ao ambiente rigoroso da alta gastronomia europeia, Cândida afirma que a alimentação dos atletas deixa de ter relação com prazer ou exagero e passa a funcionar quase como um protocolo físico de recuperação e desempenho. “Quando o jogador entra em ritmo de Copa, a comida passa a ser tratada quase como parte do treino”, explica.
Segundo a chef, frituras, molhos muito gordurosos, doces em excesso e refeições pesadas costumam desaparecer da rotina dos atletas nas semanas que antecedem o torneio. Pratos mais leves e previsíveis dominam os cardápios justamente para evitar sensação de peso, desconforto físico e queda de rendimento durante a sequência intensa de jogos. Em muitos casos, jogadores também aumentam a ingestão de carboidratos simples e líquidos para acelerar a reposição energética entre uma partida e outra.
Outro fator que ganhou ainda mais importância nesta edição da Copa é a preocupação com as altas temperaturas previstas para parte dos confrontos disputados nos Estados Unidos, México e Canadá. Relatórios recentes apontaram risco elevado de desgaste físico causado pela combinação entre calor e umidade, cenário que levou a FIFA a discutir pausas extras para hidratação durante algumas partidas. Para Cândida, isso faz a alimentação deixar de ser apenas complemento da preparação física e passar a ter papel decisivo no rendimento dos atletas. “Hoje a comida precisa recuperar energia rápido sem deixar o corpo pesado”, analisa.
Ao comparar as cozinhas das seleções com o ambiente da alta gastronomia europeia, a chef afirma que os dois universos compartilham o mesmo nível de pressão, controle e repetição absoluta dos processos. Mas existe uma diferença importante entre eles. “Na alta gastronomia, surpresa costuma ser elogio. Em Copa do Mundo, o objetivo é justamente evitar qualquer risco”, afirma.
Para a chef brasileira, a alimentação dos atletas deixou de ser apenas um detalhe da rotina esportiva e passou a ocupar papel estratégico dentro das grandes competições internacionais. “Hoje, no futebol de alto rendimento, a cozinha já faz parte da preparação tanto quanto o treino físico”, conclui.
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