Após quase 16 anos, acusado de assassinar adolescente em Cacimbinhas é condenado a 30 anos de prisão

Por Redação com Ascom MPE/AL 20/05/2026 18h06
Por Redação com Ascom MPE/AL 20/05/2026 18h06
Após quase 16 anos, acusado de assassinar adolescente em Cacimbinhas é condenado a 30 anos de prisão
Justiça por Cristina - Foto: Ascom MPE/AL

Quase 16 anos após um crime que chocou e silenciou a cidade de Cacimbinhas, no interior de Alagoas, a Justiça deu uma resposta à família da adolescente Josefa Cristina, de 14 anos, brutalmente assassinada enquanto dormia. O crime ocorreu no dia 02 de outubro de 2010, mas a condenação do caso só ocorreu nesta quarta-feira, 20.

Conforme o tribunal do Juri, o acusado de assassinar Josefa Cristina, um homem de 46 anos, foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, por crime de homicídio qualificado.

A condenação foi obtida após atuação do Ministério Público de Alagoas (MPAL), representado no plenário pelo promotor de Justiça Izelman Inácio, que sustentou a denúncia e defendeu a responsabilização do acusado pelo assassinato. O Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado por motivo fútil e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, acolhendo integralmente a tese ministerial.

Na manhã desta quarta-feira, cartazes foram espalhados pela cidade pedindo justiça, enquanto mensagens compartilhadas nas redes sociais convocavam moradores a acompanhar o julgamento. 

Segundo o promotor Izelman Inácio, a condenação representa uma resposta à dor da família e ao sentimento coletivo de indignação. Ele destacou que o crime causou profundo abalo social pela crueldade e pela motivação considerada banal.

“O crime estarreceu a pequena cidade. Uma menina foi assassinada com pelo menos quatro golpes de faca, após o criminoso invadir sua casa e entrar no quarto acreditando que atacaria o irmão dela, verdadeiro alvo. A motivação seria a cobrança de uma dívida de apenas vinte reais, algo abominável e que jamais poderia ficar impune. O Ministério Público cumpriu seu papel em defesa da vida e da justiça”, afirmou o promotor.

Conforme consta nos autos, cerca de 15 dias antes do assassinato, o irmão da adolescente teria cobrado do acusado uma dívida no valor de R$ 20, o que provocou uma discussão. Na manhã do dia do crime, a cobrança teria sido repetida, deixando o réu ainda mais revoltado.

Naquela mesma noite, por volta das 23h, ele invadiu a residência da família, localizada no povoado Minador Lúcio, zona rural de Cacimbinhas. Ao entrar no quarto, acreditando que o alvo estivesse dormindo sob os lençóis, desferiu vários golpes de faca. A vítima, completamente coberta, acabou sendo confundida com o irmão.

Os pais acordaram assustados ao ouvirem gemidos e imaginaram que o filho passava mal. Ao saírem do quarto, encontraram o invasor e entraram em luta corporal, conseguindo arrancar a camisa e os sapatos dele antes que fugisse.

Ao verificarem o quarto do filho, perceberam que ele dormia normalmente. Logo depois, encontraram a filha agonizando do lado de fora da casa. A adolescente ainda foi socorrida e levada à Unidade de Emergência, em Arapiraca, mas não resistiu aos ferimentos.

Durante a investigação, um dos elementos decisivos para a condenação foi o depoimento da mãe da vítima, além da confirmação dada pela esposa do acusado, que reconheceu as roupas e os calçados apresentados como sendo os que ele usava na noite do crime.