Em testes, robôs humanoides foram além das 30h de trabalho contínuo

Por Pplware 17/05/2026 11h11
Por Pplware 17/05/2026 11h11
Em testes, robôs humanoides foram além das 30h de trabalho contínuo
Robôs humanoides - Foto: Reprodução

A Figure AI anunciou que os seus robôs humanoides são capazes de completar turnos completos de trabalho de forma totalmente autónoma, atingindo níveis de desempenho comparáveis aos humanos. Curiosamente, o que começou como um teste de oito horas para comprová-lo acabou por se transformar numa operação contínua, transmitida num direto que já vai além das 30 horas.







A robótica humanoide acaba de dar mais um passo significativo, com a Figure AI, startup norte-americana especializada no desenvolvimento de robôs com forma humana, a afirmar que as suas máquinas conseguem realizar turnos completossem qualquer necessidade de intervenção humana.

Através do X, a empresa publicou um vídeo a mostrar uma equipa de robôs humanoides em pleno funcionamento. Após zero falhas nas primeiras oito horas, que correspondiam ao objetivo da demonstração da marca, a empresa decidiu não para-los.

Primeiro, o direto da Figure AI ultrapassou as 24 horas, com os robôs a operarem contínua e autonomamente, sem registar falhas, e Brett Adcock, diretor-executivo da Figure AI, a descrever o momento como “território inexplorado”.

Depois, o também fundador da empresa partilhouque o robô humanoide da Figure AI tinha ultrapassado as 30 horas de operações contínuas, sem interrupções.

O sistema Helix-02: um cérebro unificado para o corpo inteiro

Por detrás desta capacidade está o Helix-02, uma rede neuronal unificada que permite aos robôs caminhar, manipular objetos, manter o equilíbrio e coordenar movimentos de forma contínua, recorrendo apenas a sensores a bordo.



Ao contrário dos robôs industriais tradicionais, que dependem de controladores separados para o movimento e a manipulação, o Helix-02 integra visão, toque, cinestesia e controlo total do corpo num único sistema de aprendizagem.


O sistema processa dados provenientes de câmaras na cabeça e nas palmas das mãos, sensores tácteis nas pontas dos dedos e informação de cinestesia de todo o corpo, traduzindo esses inputsem movimentos coordenados das pernas, tronco, braços, pulsos e dedos.

Desta forma, os robôs conseguem executar tarefas durante longos períodos consecutivos sem reinicializações nem assistência humana.

Se algo correr menos bem, o próprio sistema trata do assunto. Por exemplo, caso um robô fique preso ou encontre uma situação desconhecida, o Helix-02 desencadeia um reset autónomo e retoma o trabalho por conta própria.

Robôs humanoides já têm nome

Durante a transmissão em direto, os três robôs da geração F.03 foram apelidados pelos espectadores do YouTube de Bob, Frank e Gary, nomes que a marca marcou enquanto eles trabalhavam.

Na demonstração da Figure AI, as máquinas estão colocadas a ordenar pacotes de forma completamente autónoma, sem qualquer teleoperação humana e a velocidades próximas das de um trabalhador humano.

Ao longo da operação, os três robôs já ordenaram mais de 28.000 pacotes, com a empresa a assegurar que os dispositivos não estão a ser controlados remotamente.

A capacidade de gestão autónoma de manutenção é um detalhe a reforçar: quando surgem problemas de software ou hardware, os robôs conseguem sair da linha de produção por conta própria, enquanto outro colega toma automaticamente o seu lugar para garantir a continuidade da operação.



Figure AI é um dos nomes mais preponderantes da robótica global

Com robôs humanoides a operar nas instalações da BMW, em Spartanburg, na Carolina do Sul, a Figure AI defende que, no futuro, estas máquinas terão de operar em espaços partilhados com humanos, como fábricas, armazéns e casas, sendo capazes de reagir em tempo real a pessoas, objetos e outros robôs.

Com estas demonstrações, a empresa posiciona-se diretamente em competição com outros grandes nomes do setor, incluindo a Tesla com o seu Optimus.

Os mais de 28.000 pacotes ordenados sem falhas e as mais de 30 horas de operação contínua são, para já, um dos argumentos mais concretos já apresentados nesta disputa.