Dona da Tok&Stok e da Mobly pede recuperação judicial

Por Redação, com g1 12/05/2026 10h10
Por Redação, com g1 12/05/2026 10h10
Dona da Tok&Stok e da Mobly pede recuperação judicial
Loja da Tok&Stok em shopping de Ribeirão Preto, SP - Foto: Reprodução

O Grupo Toky, dono das marcas Tok&Stok e Mobly, informou nesta terça-feira (12) que entrou com pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar suas dívidas e evitar um agravamento da crise financeira. Segundo o processo, a dívida total da companhia é de cerca de R$ 1,1 bilhão.

Segundo a empresa, a decisão foi tomada após dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração, como juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito.

A companhia afirmou que esse cenário reduziu as vendas e afetou o caixa do grupo.

O Grupo Toky também disse que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas que o endividamento continuou crescendo.

"Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Recuperação judicial é um processo em que uma empresa com dificuldades financeiras pede proteção à Justiça para renegociar dívidas e evitar a falência, enquanto continua funcionando normalmente.

A companhia afirmou que o objetivo do pedido é preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as obrigações financeiras.

O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo e está sob segredo de justiça.

'Risco de dano irreparável'

No pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça de São Paulo, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o colapso das operações e garantir a continuidade das atividades, citando "risco de dano irreparável" nas operações da companhia.

Um dos principais pedidos da empresa é a liberação imediata de cerca de R$ 77 milhões em valores de vendas feitas no cartão de crédito que estão retidos pela SRM Bank.

Segundo o grupo, os bloqueios comprometeram o capital de giro da empresa e colocaram em risco pagamentos básicos, como salários de mais de 2 mil funcionários.

A companhia também pediu a suspensão, por 180 dias, de cobranças judiciais e execuções de dívidas enquanto negocia a reestruturação financeira com credores.

Outro ponto do pedido é a manutenção de contratos e serviços considerados essenciais para o funcionamento da empresa. O grupo quer impedir interrupções em operações de logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.

Na petição, o Grupo Toky afirma que enfrenta dificuldades desde a pandemia de Covid-19, período em que fechou mais de 17 lojas. A empresa cita ainda juros elevados, inflação persistente, crédito mais restrito e queda no consumo de bens duráveis como fatores que agravaram a crise financeira do setor moveleiro.

O que é o Grupo Toky

O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil.

A fusão deu origem a um dos maiores grupos de varejo de casa e decoração da América Latina, combinando operações físicas e digitais.
A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco em vendas online de móveis e itens de decoração.

A empresa recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu sua atuação para lojas físicas, contando atualmente com 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas.

Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país.

O grupo também reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões e produtos de conforto.