Hospital de Emergência do Agreste debate exaustão emocional em roda de conversa com profissionais

Por Assessoria 23/04/2026 19h07
Por Assessoria 23/04/2026 19h07
Hospital de Emergência do Agreste debate exaustão emocional em roda de conversa com profissionais
Hospital de Emergência do Agreste debate exaustão emocional em roda de conversa com profissionais - Foto: Assessoria

Profissionais do Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, participaram de uma roda de conversa sobre saúde mental e exaustão emocional no ambiente hospitalar. O encontro, realizado na sala de reunião da instituição, abordou os impactos do desgaste cotidiano e a necessidade de reconhecer limites na rotina de trabalho.

A atividade, intitulada “Exaustos e correndo e dopados: a vida na era tardia demais”, foi conduzida pelo psicólogo Cícero José Barbosa da Fonseca. Ele é graduado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e professor de Psicologia da Faculdade Cesmac do Agreste, em Arapiraca.

A diretora-geral do HEA, Bárbara Albuquerque, destacou a importância de iniciativas voltadas à saúde mental dentro da instituição hospitalar. “São discussões necessárias, que fazem parte da realidade de quem está na assistência. Criar espaços como esse permite que os profissionais parem, reflitam e reconheçam seus limites diante de uma rotina intensa”, afirmou Bárbara.

A gerente de enfermagem do HEA, Dayse Dayanne, ressaltou a importância de abrir espaço para escuta dentro da rotina hospitalar. “Criar um ambiente de reflexão e acolhimento para coordenadores e profissionais mostrou-se essencial para fortalecer não apenas o cuidado com o outro, mas também o autocuidado”, afirmou a enfermeira.

A profissional também apontou efeitos práticos do encontro no cotidiano das equipes. “Foi possível reconhecer desafios, compartilhar experiências e promover um olhar mais humano sobre as práticas diárias. Isso impacta diretamente nas relações de trabalho e na forma como lidamos com as demandas”, disse Dayse Dayanne.

Idealizador da atividade, Wagner Silva, coordenador de Psicologia do HEA, avaliou o momento como necessário diante do desgaste acumulado no dia a dia. “A roda de conversa possibilitou repensarmos a nossa existência no que diz respeito ao cansaço e à exaustão emocional, que muitas vezes surgem do excesso de trabalho e de compromissos. Em muitos momentos, não percebemos o nosso limite”, explicou o coordenador.

O psicólogo chamou atenção para sinais ignorados no cotidiano. “Esse espaço permitiu que cada um olhasse para si, reconhecendo potencialidades, mas também limitações. O corpo fala. Em muitos casos, o que precisamos é parar e respirar”, afirmou.

Cenário Virtual

Durante a condução da roda, o facilitador Cícero José Barbosa da Fonseca apresentou uma leitura direta sobre o cenário atual. “Vivemos em um movimento constante de aceleração, sem saber exatamente para onde estamos indo. Cada vez mais cansados, esgotados e, ainda assim, recorrendo a medicação para sustentar esse ritmo”, pontuou o psicólogo.

Abordou ainda o impacto das relações fragilizadas. “Existe uma lógica de que não podemos parar, ouvir ou conversar, como se isso fosse perda de tempo. Isso nos leva a uma vida mais individualista e solitária, o que torna tudo mais pesado”, disse.

Ao longo do encontro, a proposta foi provocar deslocamento de pensamento. “A ideia foi fazer com que cada um percebesse que não está sozinho. Precisamos rever a forma como estamos vivendo, nos relacionando e lidando com as exigências do tempo atual”, afirmou.

Para o psicólogo, o efeito da roda não se encerra no momento da conversa. “Essas reflexões atravessam quem participa e permanecem. Elas continuam no cotidiano, abrindo possibilidades de mudança na forma de lidar com a vida e com o trabalho”, concluiu.