Ex-presidente do BRB preso negociou com a Prefeitura de Maceió
Master e banco brasiliense vivem maior escândalo bancário do Brasil
Paulo Henrique Costa, detido nesta quinta-feira (16) pela Polícia Federal e transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, comandava o Banco de Brasília quando a instituição venceu a licitação para assumir a folha de pagamento dos servidores municipais de Maceió, em agosto de 2025.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso nesta quinta-feira (16) em nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, estava à frente da instituição financeira no período em que o banco fechou a parceria com a Prefeitura de Maceió para administrar a folha de pagamento de mais de 26 mil servidores da capital alagoana. Na época, o BRB tinha apenas duas agências em Maceió.
Segundo informações divulgadas pela própria Prefeitura em agosto de 2025, o BRB venceu processo licitatório conduzido pelo Município e passou a ser, pelos próximos cinco anos, a instituição financeira responsável pelo processamento da folha de servidores efetivos, comissionados, aposentados e pensionistas.
Paulo Henrique Costa chegou à presidência do BRB em 2019, por indicação do governo do Distrito Federal, e permaneceu no cargo até novembro de 2025, quando foi afastado pela Justiça. Durante todo o período em que o BRB disputou e venceu a licitação em Maceió, assim como durante as reuniões de apresentação do novo banco aos sindicatos e à administração municipal, Costa era o responsável máximo pela instituição.
Prisão e acusações
Paulo Henrique Costa foi preso na manhã desta quinta-feira, em Brasília, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de emissão e negociação de títulos de crédito supostamente falsos envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Na mesma ação, foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como representante do Master em negociações com o BRB. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a prisão, Costa é suspeito de ter aceitado vantagem indevida estimada em aproximadamente R$ 146,5 milhões, representada por seis imóveis de luxo supostamente oferecidos por Vorcaro como propina. Os empreendimentos, entre eles Heritage Cyrela, Arbórea, One Sixty e Casa Lafer (em São Paulo), além de Ennius Muniz e Valle dos Ipês (em Brasília), teriam sido escolhidos segundo critérios pessoais e familiares do então presidente do banco. Mensagens apreendidas pela PF indicam que Costa chegou a levar a esposa para visitar apartamentos de alto padrão em São Paulo. Cerca de R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos, e o repasse só não foi concluído porque Vorcaro tomou conhecimento, em abril de 2025, de um procedimento sigiloso do Ministério Público Federal.
Por meio de seu advogado, Cleber Lopes, o ex-presidente do BRB afirma que "não cometeu crime algum" e classificou a prisão como "absolutamente desnecessária". A defesa informou que vai recorrer.
Maceió entre as maiores vítimas do Master
A conexão entre o caso e a capital alagoana vai além da folha de pagamento. Maceió figura entre os municípios brasileiros mais prejudicados pelo colapso do Banco Master, o mesmo grupo que, segundo a PF, pagava propina ao ex-presidente do BRB.
A gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC) aplicou cerca de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) em letras financeiras do Banco Master, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A instituição teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e o dinheiro — que pertencia aos servidores municipais aposentados e pensionistas, foi integralmente perdido.
Por determinação da Lei nº 9.717/98, estados e municípios são os garantidores finais dos regimes próprios de previdência. Na prática, isso significa que a Prefeitura de Maceió terá que utilizar recursos do próprio orçamento para cobrir o rombo e garantir o pagamento das aposentadorias e pensões.
No total, 18 fundos municipais e estaduais de previdência do país aplicaram em títulos do Master. Maceió aparece entre os mais expostos, ao lado do Rio de Janeiro (cerca de R$ 970 milhões), Amapá (R$ 400 milhões) e São Roque, em São Paulo (R$ 93,15 milhões).
O Ministério Público Estadual de Alagoas apura os aportes feitos pelo Iprev em ativos de alto risco, após pedido do vereador e ex-prefeito Rui Palmeira (PSD). Em janeiro, a promotora Gilcele Dâmaso de Almeida Lima, que conduzia o caso, deixou as investigações por motivos pessoais. Até o momento, o prefeito JHC não se manifestou publicamente sobre o dinheiro perdido.
Contexto da crise no BRB
A prisão de Paulo Henrique Costa se insere em uma apuração maior sobre a aquisição, pelo BRB, de ativos do Banco Master durante sua gestão. O banco público do Distrito Federal precisa fazer provisionamento de aproximadamente R$ 8,8 bilhões, segundo o atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza. Em dezembro de 2025, já afastado do cargo, Costa prestou depoimento à PF e negou que os negócios com o Master tivessem o objetivo de salvar a instituição de Vorcaro.
O episódio coloca sob os holofotes a gestão que assinou o acordo com Maceió: o mesmo executivo responsável pela expansão do BRB para Alagoas em 2025 é agora acusado de ter recebido quase R$ 150 milhões em propina do banco que, poucos meses depois, quebrou e levou consigo R$ 117 milhões dos aposentados da capital alagoana.
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