Professor é indiciado por injúria racial após associar aluno negro a chimpanzé em sala de aula, em Maceió

Por Redação com agências 18/03/2026 13h01
Por Redação com agências 18/03/2026 13h01
Professor é indiciado por injúria racial após associar aluno negro a chimpanzé em sala de aula, em Maceió
Professor é indiciado por injúria racial após associar aluno negro a chimpanzé em sala de aula, em Maceió - Foto: Reprodução



A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava um professor de uma escola particular localizada no bairro Benedito Bentes, em Maceió, suspeito de cometer injúria racial contra um estudante. O docente foi indiciado após, supostamente, associar um aluno negro à imagem de um chimpanzé estampada na capa do caderno de outro estudante.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Rebeca Cordeiro, a investigação foi concluída rapidamente porque contou com a colaboração de diferentes delegacias. Os adultos envolvidos e a vítima foram ouvidos na Delegacia de Crimes contra Vulneráveis, enquanto os adolescentes que presenciaram a situação prestaram depoimento na delegacia especializada no atendimento ao adolescente infrator.

O episódio foi registrado por câmeras de segurança da escola, e as imagens passaram a circular em grupos de mensagens, o que também contribuiu para o avanço das investigações.

Segundo a delegada, apesar de o vídeo não possuir áudio, as imagens são consideradas provas relevantes do ocorrido. Nas cenas, é possível ver um aluno mostrando ao professor a capa de um caderno com a imagem de um chimpanzé e perguntando com quem o animal se parecia. Em seguida, o professor aponta para um estudante negro de 13 anos. Conforme relatado pela vítima à polícia, o docente teria dito: “parece com esse aqui”.

A autoridade policial destacou ainda que o caso possui um agravante previsto em lei: quando a ofensa ocorre sob a justificativa de brincadeira ou recreação.

“Para a legislação, quando algo é tratado como diversão, mas causa constrangimento ou ofensa, isso qualifica o crime. Se nem todos riem, não é brincadeira”, explicou a delegada.

Ela também ressaltou que o professor tinha a responsabilidade de interromper a situação em sala de aula e orientar os alunos, em vez de reforçar o comportamento ofensivo.

Com o indiciamento, o caso será encaminhado ao Ministério Público. A pena prevista para injúria racial varia de dois a cinco anos de reclusão, podendo ser aumentada em até um terço quando o crime ocorre em contexto de recreação.