MPF pede anulação de licença para parque aquático em área da tribo indígena Xukuru-Kariri, no Agreste alagoano
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas ajuizou ação civil pública contra o Município de Palmeira dos Índios (AL) e o parque aquático para questionar a instalação de um empreendimento em área de terra indígena. A ação busca a anulação da licença ambiental concedida e a reparação integral dos danos causados ao território tradicional do povo Xukuru-Kariri.
Licença irregular
De acordo com o MPF, a Licença Ambiental de Operação nº 018/2024, emitida pelo Município em setembro de 2024, autorizou o funcionamento do parque aquático em área situada dentro da terra indígena. No entanto, a legislação brasileira é clara ao atribuir à União, por meio de seus órgãos federais, a competência para licenciar empreendimentos que impactem terras indígenas.
Para o MPF, o ato administrativo é nulo por vício de competência. A ação também aponta a ausência de consulta prévia, livre e informada à comunidade indígena e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em desacordo com normas nacionais e tratados internacionais de proteção aos povos indígenas.
Danos ao território
Fiscalizações realizadas por órgãos federais identificaram que o empreendimento foi implantado com supressão de vegetação nativa e indícios de destinação inadequada de resíduos. Segundo o MPF, a intervenção compromete a regeneração ambiental da área e pode gerar impactos decorrentes da produção de resíduos sólidos e líquidos sem tratamento adequado.
Diante desse cenário, a ação requer a condenação dos responsáveis à reparação integral dos danos, incluindo a elaboração e execução de um Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).
Obras avançadas antes da licença
Outro aspecto destacado na ação é que as obras do parque já estavam em estágio avançado quando a licença municipal foi concedida. O próprio Município informou não ser possível precisar a data de início das intervenções, havendo indícios de que a construção tenha começado antes mesmo do pedido formal de licenciamento ambiental.
Direitos originários
O MPF reforça que a área afetada integra território tradicionalmente ocupado pelo povo Xukuru-Kariri, cuja proteção independe da conclusão formal do processo de demarcação. A Constituição Federal assegura os direitos originários dos povos indígenas sobre suas terras, cabendo à União protegê-las e garantir o respeito a seus modos de vida.
A procuradora da República Juliana Câmara, autora da ação, destaca que o caso revela uma grave violação às garantias constitucionais dos povos indígenas. “A instalação de empreendimento em território tradicional sem o devido licenciamento federal e sem a realização da consulta prévia à comunidade representa afronta direta aos direitos indígenas e à ordem jurídica. A atuação do MPF busca assegurar não apenas a responsabilização pelos danos, mas a proteção efetiva do território e do modo de vida do povo Xukuru-Kariri”, afirmou.
O parque ainda não se pronunciou a respeito.
Últimas Notícias
Jornalista alagoano Di Meneses morre após complicações durante recuperação de cirurgia em Maceió
Motocicleta roubada é recuperada pela polícia às margens da AL-110, em Arapiraca
MPF pede anulação de licença para parque aquático em área da tribo indígena Xukuru-Kariri, no Agreste alagoano
Conta de luz terá aumento médio de 8% em 2026, diz Aneel
Vídeo. Mulher é presa após dar informações privilegiadas a assassinos do companheiro em Maceió
Vídeos mais vistos
Homem que conduzia motocicleta pela contramão morre ao ter veículo atingido por carro, em Arapiraca
Delegado detalha prisão de autor de homicídio no Bosque das Arapiracas
Inauguração do Centro de Convenções de Arapiraca
Debate sobre o dia 18 de maio em São Sebastião

