Governo Paulo Dantas inaugura escola indígena após 36 anos de espera em São Sebastião
Unidade integra o programa Escola do Coração, é a segunda indígena do município e vai ofertar ensino médio a partir de 2026
Após 36 anos de espera, as 150 famílias da comunidade indígena Karapotó Plaki-ô, em São Sebastião, começam 2026 realizando o sonho de ter uma escola nova. A Escola Estadual Indígena Itapó foi entregue nesta quarta-feira (14) pelo governador Paulo Dantas e integra o programa Escola do Coração, que prevê a construção de 57 unidades educacionais em Alagoas, sendo oito destinadas a comunidades indígenas.
A nova escola representa o fim de uma longa luta da comunidade, que precisava de um espaço adequado para fortalecer a educação, a resistência cultural e a preservação das tradições ancestrais do povo Karapotó Plaki-ô.
Esta é a segunda escola indígena inaugurada no município e a 18ª unidade entregue pelo Governo de Alagoas por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O investimento foi de R$ 3.605.440,84, com recursos do Fundeb.
Durante a inauguração, o governador Paulo Dantas destacou o avanço do programa Escola do Coração em todo o estado. “Estamos inaugurando a segunda escola indígena aqui em São Sebastião e a terceira unidade educacional do município, somando-se à escola moderna de 12 salas que já entregamos. Já temos 24 escolas prontas e mais 22 em obras. Vamos entregar 46 das 57 unidades que nos comprometemos a construir por meio do programa Escola do Coração”, afirmou.
Segundo o governador, a entrega vai além da infraestrutura física. “Todos têm o direito de estudar e trabalhar em um ambiente digno. Professores, gestores, merendeiras e equipes de apoio merecem uma estrutura adequada, que acolha e incentive. Estamos entregando escolas modernas em todas as regiões do estado. É o maior conjunto de escolas já entregue na história de Alagoas”, ressaltou.
A Escola Estadual Indígena Itapó segue o padrão arquitetônico voltado às comunidades indígenas. A estrutura conta com sete salas — seis de aula e uma multiuso —, biblioteca com espaço de informática, ginásio poliesportivo completo, além de blocos administrativo e de serviços, com cozinha industrial, refeitório e acessibilidade.
Responsável pela gestão da unidade, a diretora Laédina Nunes Tononé Souza celebrou a conquista e destacou a importância da escola para a preservação cultural da comunidade.
“Hoje é um dia muito especial para todos nós. Foram muitos anos de luta. Já temos 66 alunos matriculados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I e II, e a expectativa é ampliar esse número. Com a nova estrutura, poderemos desenvolver melhor nossos projetos pedagógicos e culturais”, afirmou.
Atendendo a um pedido da comunidade, a secretária de Estado da Educação, Roseane Vasconcelos, anunciou que a escola está autorizada a ofertar o ensino médio a partir de 2026.
“Além de uma estrutura completa, deixamos a melhor notícia: esta escola está autorizada a iniciar o ensino médio já no próximo ano. Era o sonho de muitas famílias da comunidade”, disse.
Dura como pedra
Sob a liderança do cacique Juarez de Souza, conhecido como Itapó, a escola simboliza o fortalecimento da identidade étnica e o enfrentamento ao apagamento histórico no Baixo São Francisco. O nome Itapó significa “pedra dura”, símbolo de força, energia e proteção espiritual para o povo Karapotó Plaki-ô.
Emocionado, o cacique relembrou a primeira escola da comunidade. “Compramos cimento, tinta, e as mães e professoras pintavam as paredes com as mãos. Ver essa nova escola hoje faz valer cada luta e cada sacrifício. É orgulho ver nossos filhos tendo acesso a uma educação digna”, recordou.
Para ele, a escola vai além do ensino formal. “Ela não é apenas para ensinar o ‘ABC’ do homem branco, mas para fortalecer nossas raízes. Por isso, defendemos que os profissionais sejam da própria aldeia, garantindo que o conhecimento circule dentro da comunidade”, destacou.
Nutrir o corpo para alimentar o conhecimento
Maria Lourdes, moradora da comunidade e há 12 anos atuando na educação de São Sebastião, falou da importância da nova estrutura também para quem trabalha na alimentação escolar.
“Antes era tudo muito difícil, o calor era grande e o fogão pequeno. Agora temos uma cozinha adequada, com fogão industrial, bancadas e ventilação. É um espaço digno para preparar a merenda e garantir que os alunos aprendam bem alimentados”, contou.
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