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Após denúncia de Rui Palmeira sobre servidores fantasmas, Câmara de Vereadores de Maceió realiza recadastramento

Por Política em Pauta 12/02/2026 11h11
Por Política em Pauta 12/02/2026 11h11
Após denúncia de Rui Palmeira sobre servidores fantasmas, Câmara de Vereadores de Maceió realiza recadastramento
Câmara de vereadores de Maceió - Foto: Divulgação

Uma denúncia feita pelo vereador e ex-prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSD), caiu como uma bomba no plenário da Câmara Municipal e desencadeou uma crise política e administrativa na Casa Legislativa. Em um discurso de sete minutos realizado na terça-feira, 10, o parlamentar afirmou que existe um possível esquema envolvendo servidores comissionados da Mesa Diretora que receberiam salários milionários sem cumprir expediente.

Segundo ele, dos 84 servidores vinculados ao setor, os vencimentos variam entre R$ 5 mil e R$ 17 mil mensais, valores próximos aos recebidos pelos próprios vereadores, cuja média salarial é de cerca de R$ 17,5 mil.

Rui Palmeira afirmou que, há mais de seis meses, tenta obter informações detalhadas sobre os cargos comissionados, mas não teria recebido respostas completas da direção da Casa. Diante do que classificou como “procrastinação”, disse ter iniciado uma investigação própria e reunido documentos que indicariam que a maioria dos servidores recebe entre R$ 15 mil e R$ 17 mil por mês. O vereador alegou que muitos desses profissionais não comparecem ao trabalho e não prestariam serviços efetivos à Câmara Municipal.

De acordo com as normas internas do Legislativo, os cargos comissionados deveriam ser distribuídos por níveis e destinados a órgãos administrativos, como Procuradoria, secretarias e comissões permanentes. Rui, que preside a Comissão de Direito do Consumidor, afirmou nunca ter contado com profissionais especializados à disposição, mesmo diante de demandas técnicas.

Durante o pronunciamento, o parlamentar mencionou nomeações que classificou como “heterodoxas”, incluindo a esposa de um ex-prefeito do interior e uma jovem de 24 anos, moradora de uma área carente em Ipioca, que receberia salário de R$ 15.730. Segundo o vereador, a mesma pessoa teria sido beneficiária do Bolsa Família até junho de 2025. Rui afirmou que não divulgou nomes por considerar os envolvidos “o elo mais fraco” da situação.

Rui anunciou que encaminhará toda a documentação ao Ministério Público Estadual e ao presidente da Casa para apuração, prometendo divulgar novos detalhes sobre a folha de pagamento.

Após isso, ontem, quarta-feira, 11, dia seguinte às denúncias, o presidente Chico Filho anunciou um recadastramento geral de todos os servidores efetivos e comissionados da Câmara Municipal de Maceió, medida que será oficializada por portaria. Segundo ele, a iniciativa busca ampliar a transparência e avaliar a situação funcional de todos os vínculos existentes, incluindo gabinetes, setores administrativos e a própria Mesa Diretora.

A presidência da Câmara afirmou que, se forem comprovadas irregularidades, servidores envolvidos serão afastados e submetidos a processos administrativos.