Após derrota nas urnas, grupos de bolsonaristas divulgam listas de empresas para boicote em Arapiraca e Alagoas

Mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp citam empresas e influenciadores; advogada alerta para possíveis implicações jurídicas em casos de difamação e informações falsas

Por Redação/ Já é Notícia 27/10/2026 14h02 - Atualizado em 27/10/2026 15h03
Por Redação/ Já é Notícia 27/10/2026 14h02 Atualizado em 27/10/2026 15h03
Após derrota nas urnas, grupos de bolsonaristas divulgam listas de empresas para boicote em Arapiraca e Alagoas
Grupo bolsonarista divulga boicote - Foto: Reprodução


Dois dias após o resultado das eleições, listas com nomes de empresas de Arapiraca e de outras cidades de Alagoas, além de influenciadores digitais, começaram a circular em grupos de WhatsApp com sugestões de boicote por supostos posicionamentos políticos.

Segundo denúncias, apoiadores identificados com a direita estariam compartilhando listas com o objetivo de identificar empresas e pessoas que seriam de esquerda ou de direita. A iniciativa tem gerado preocupação diante do risco de disseminação de informações falsas e de prejuízos à reputação e à atividade comercial dos citados.

Em um dos áudios compartilhados nos grupos, um participante pede cautela na divulgação dos nomes e afirma que é necessário verificar as informações antes de repassá-las.

“Feche o grupo só pra vocês postar o que de fato entendeu essa lista que eu fiz aqui, deixando bem claro pra todos vocês tão jogando aqui, mas a gente tem que verificar de fato quem é a esquerda, quem é a direita e assim sucessivamente, entendeu? Pra não tá espalhando fake news daí é afora”, diz o trecho transcrito da gravação.

Denúncia de discriminação por posicionamento político


Além das listas, outra denúncia relata um episódio de possível discriminação por opinião política. Uma jovem afirmou que sua manicure teria se recusado a prestar o serviço após saber que ela se identificava com a esquerda. Segundo o relato, a profissional teria declarado ser de direita e que não atenderia pessoas com posicionamento político contrário.

O caso reforça o debate sobre os limites entre a liberdade de opinião e eventuais práticas discriminatórias nas relações pessoais e comerciais. A apuração dos fatos e a análise das circunstâncias são necessárias para determinar se houve alguma irregularidade.

Compartilhamento de listas pode ter consequências jurídicas


Em entrevista ao portal A Gazeta, a advogada Renata Bravo, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, explicou que a criação ou o compartilhamento de listas com informações ofensivas pode, dependendo do conteúdo e das circunstâncias, gerar consequências jurídicas.

Entre as possibilidades está o crime de difamação, previsto no artigo 139 do Código Penal, que trata da imputação de fato ofensivo à reputação de alguém. A pena prevista é de detenção de três meses a um ano e multa.

A advogada também mencionou o artigo 7º da Lei nº 8.137/1990, que trata de crimes contra as relações de consumo. A aplicação desse dispositivo, porém, depende do enquadramento da conduta concreta nos requisitos previstos em lei.

Denunciante critica clima de intolerância


Uma das pessoas que denunciou a circulação das listas afirmou que deixou de participar do grupo por discordar da postura adotada por alguns integrantes. Ele preferiu não se identificar.

“Esse povo é doente, louco demais. A alienação está passando dos limites. Enquanto o líder deles foge do país, eles estão boicotando a economia e difamando empresas e pessoas. Estava no grupo porque acreditava na mudança e em melhorias, mas esse não é o país que eu quero. Isso já é loucura demais”, declarou.

O episódio evidencia a preocupação com a possibilidade de divergências políticas ultrapassarem o debate de ideias e atingirem a reputação de pessoas e empresas, além de afetarem relações de consumo e atividades comerciais.

A divulgação de acusações sem comprovação pode causar danos, especialmente quando nomes são associados a posicionamentos políticos sem evidências verificáveis. Antes de compartilhar listas ou denúncias, é importante confirmar a origem das informações e evitar a propagação de conteúdos que possam prejudicar terceiros indevidamente. 

A Polícia Civil deve investigar o caso.