RiHappy entra com pedido de recuperação extrajudicial

Por Extra 19/10/2026 16h04
Por Extra 19/10/2026 16h04
RiHappy entra com pedido de recuperação extrajudicial
Loja da RiHappy no BarraShopping, na Zona Oeste do Rio - Foto: Bruno Kaiuca/Agência O Globo

Líder no varejo brasileiro de brinquedos, a RiHappy protocolou neste domingo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam R$ 827,4 milhões. A medida ocorre 48 dias após a empresa mudar de dono, com a aquisição do grupo pela BluSun Capital Partners.

O pedido envolve as seis empresas do grupo, como as lojas RiHappy e PB Kids, a importadora New Toys e a Divertudo, de recreação infantil e casas de festa integradas às lojas.

A administração da companhia justificou em comunicado que o pedido de recuperação acontece num cenário de "desafios enfrentados pelo varejo brasileiro", como os juros elevados, as mudanças no consumo, a intensificação da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia.

No processo ajuizado ontem no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ao que EXTRA teve acesso, o grupo lembra que, em 2023, contratou uma consultoria para renegociar um passivo bancário de R$ 292 milhões, mas argumenta que a recuperação da economia e do mercado "não ocorreu como se esperava", e que os anos seguintes culminaram no cenário atual, em que "o pagamento das dívidas tornou-se incompatível com o fluxo de caixa" do grupo.

A empresa também citou o aumento da concorrência como um dos fatores que influenciaram na crise. Os advogados da empresa alegam que a entrada de produtos asiáticos de menor custo, acessíveis em marketplaces como Shopee e Aliexpress, pressionam os preços e as margens das varejistas de brinquedos.

Ainda segundo o processo, 42,38% dos créditos abrangidos já aderiram ao plano de reestruturação extrajudicial. O patamar já é suficiente para a abertura do processo. Como determina a legislação, nos próximos 90 dias a empresa terá que alcançar a aprovação de 50% dos credores para que o plano seja homologado pela Justiça.

A empresa informou que o pedido de recuperação já conta com "expressiva adesão dos credores", e que a estruturação é parte de um "conjunto de medidas estruturantes" com foco na gestão de liquidez, readequação da estrutura de capital e disciplina de custos.

A administração ainda ressaltou que as lojas físicas e os canais digitais da RiHappy e da PB Kids "seguem funcionando normalemnte", com as equipes dedicadas à preparação para a Black Friday e o Natal.

"Essas medidas visam organizar a renegociação de dívidas e adequar a estrutura financeira às necessidades operacionais, criando as condições para dar continuidade ao plano de transformação", diz o texto.

Com faturamento médio anual de R$ 1,2 bilhão, RiHappy e PB Kids tem cerca de 300 lojas em todo o país, entre franquias e operações próprias, e emprega cerca de 2,6 mil pessoas.

Em 2018, o grupo chegou a iniciar um processo de abertura de capital, mediante pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de oferta pública de ações. O pedido, porém, foi suspenso "em um contexto de incertezas políticas, volatilidade do mercado financeiro e maior cautela dos investidores em relação ao setor de varejo", diz o processo.