Cães de grande porte envelhecem mais rápido, aponta estudo

Por Redação, com Metrópoles 10/10/2026 17h05
Por Redação, com Metrópoles 10/10/2026 17h05
Cães de grande porte envelhecem mais rápido, aponta estudo
Cachorro - Foto: Magnific/Imagem Ilustrativa

Cães de grande porte não apenas tendem a viver menos do que os pequenos, como também apresentam um envelhecimento mais acelerado em marcadores do DNA.

Um estudo publicado na última quinta-feira (8/10), na revista Science, encontrou alterações mais intensas em elementos transponíveis, conhecidos como “genes saltadores”, dos animais maiores. O nome se refere a trechos de DNA capazes de mudar de posição no material genético.

Os pesquisadores analisaram 1.640 perfis de metilação do DNA de 894 cães de companhia inscritos no Projeto de Envelhecimento Canino, dos Estados Unidos. A metilação consiste em marcas químicas que ajudam a regular a atividade do material genético e cuja distribuição muda com a idade.

Com os dados, a equipe desenvolveu uma ferramenta para estimar a idade epigenética dos animais, uma medida molecular do envelhecimento. O resultado foi comparado à idade cronológica, correspondente ao tempo desde o nascimento.

Cães com idade epigenética acima da esperada apresentaram maior risco de mortalidade. Os animais maiores, os machos e os indivíduos mais jovens exibiram padrões moleculares de envelhecimento mais acelerado em relação ao esperado para a idade.

As maiores diferenças relacionadas ao porte apareceram nos elementos transponíveis. Ao longo do envelhecimento, os trechos perderam metilação, e a alteração associada à idade foi 31% mais intensa nos cães maiores.

O padrão ocorreu em diferentes classes de sequências móveis, com destaque para os elementos chamados LINE1, considerados evolutivamente mais jovens. Já as diferenças entre machos e fêmeas foram mais pronunciadas no cromossomo X.

Os resultados mostram que a menor expectativa de vida vem acompanhada de um envelhecimento molecular mais acelerado, com alterações em regiões específicas do DNA.

Segundo os autores, os achados ajudam a investigar os mecanismos do envelhecimento e podem contribuir para pesquisas sobre doenças relacionadas à idade, inclusive em humanos.