Christa Pike, que sobreviveu à injeção letal, não se lembra de tentativa de execução, diz médico da sua equipe
Christa Pike, de 50 anos, não se lembra da tentativa de execução à qual foi submetida no mês passado no Tennessee, nos Estados Unidos, e ainda enfrenta um longo processo de recuperação após sobreviver a duas doses de pentobarbital. A informação foi dada ao jornal Independent pelo médico Joel Zivot, professor de anestesiologia e cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Emory, em Atlanta, e contratado pela equipe jurídica da condenada para assessorá-la.
Pike está no corredor da morte há cerca de três décadas. Ela foi condenada pelo envolvimento na tortura e no assassinato, em 1995, de Colleen Slemmer, de 19 anos, quando tinha 18. Dois outros adolescentes que participaram do crime não receberam a pena de morte.
— Ela teve uma boa recuperação até o momento. Entendo que ela está conversando e agora sabe onde está. Ela não tem memória da execução em si. Não está claro para mim se ela teve uma recuperação cognitiva completa. É muito cedo para afirmar com certeza — disse Zivot ao jornal britânico.
Segundo o médico, pode levar semanas até que seja possível avaliar com maior precisão os efeitos do episódio. Pike também precisará recuperar a força física depois de permanecer internada e em estado crítico.
— Como regra prática simples, digo aos pacientes que um dia na cama equivale a uma semana de recuperação — afirmou.
Zivot acrescentou que Pike apresenta fraqueza muscular generalizada e permanece acorrentada à maca, procedimento adotado para prisioneiros hospitalizados fora da unidade prisional.
— Muitos riscos persistem, e seu quadro pode piorar, apesar da atual melhora.
Ainda nesta quarta-feira, o advogado de Christa Pike, Randy Spivey, afirmou que ela está "com raiva e confusa” após recuperar a consciência na terça-feira, seis dias depois de sobreviver à tentativa malsucedida de execução. Segundo ele informou ela "tem plena consciência do que fizeram com ela até certo ponto", sugerindo também que ela não recorda totalmente do momento que a execução foi tentada.
Duas doses de pentobarbital
Pike recebeu duas doses de pentobarbital na prisão de segurança máxima Riverbend, em Nashville, na última quarta-feira. A execução, porém, não produziu o efeito esperado. O pentobarbital é um barbitúrico que reduz a atividade do cérebro e do sistema nervoso. Em doses elevadas, pode provocar depressão respiratória, insuficiência cardíaca e morte. Para Zivot, é provável que Pike tenha recebido uma dose ineficaz ou uma quantidade insuficiente da substância.
— Mesmo com a presença de pentobarbital em seu organismo, o atendimento médico que ela recebeu provavelmente conseguiu neutralizar os efeitos negativos dessas drogas — explicou o médico.
De acordo com o especialista, o medicamento provoca a morte quando a pessoa não recebe assistência médica simultânea. Antes, ele havia alertado para o risco de lesões cerebrais provocado pelo atraso no início da reanimação, caso a quantidade recebida não tivesse sido suficiente para causar a parada respiratória e o evento cardiovascular esperados.
Inicialmente, Pike foi descrita como estando em estado crítico e chegou a respirar com auxílio de um ventilador. Seus advogados informaram, porém, que ela posteriormente acordou e passou a conversar. A equipe afirmou que a condenada sofreu graves lesões nos braços e permanece algemada e acorrentada à cama.
Sobrevivência considerada inédita
Os advogados de Pike classificaram sua recuperação como um acontecimento "clinicamente sem precedentes". Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte dos Estados Unidos, ela é considerada a primeira pessoa conhecida a sobreviver depois de receber doses letais de substâncias usadas em uma execução.
A criminóloga Deborah Denno, professora da Faculdade de Direito da Fordham University e integrante da equipe que assessora Pike, também ressaltou o caráter inédito do caso. Em declaração à BBC, disse ter ficado "absolutamente espantada" ao saber que a condenada estava consciente e falando.
Segundo Denno, há registro de outros sete casos de prisioneiros que sobreviveram a tentativas de execução nos Estados Unidos. Nessas situações, porém, os responsáveis pela execução não conseguiram encontrar uma veia para administrar a substância letal.
— Eles fizeram tudo o que deveriam fazer como parte do processo de execução e, simplesmente, não funcionou. Isso nunca aconteceu antes — afirmou a professora.
Defesa pede prisão perpétua
Ainda não está definido se o Tennessee tentará executar Pike novamente. A condição médica da condenada poderá ser determinante para essa decisão. Seus advogados voltaram a pedir ao governador do Tennessee, Bill Lee, que comute a sentença para prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Após a falha na execução, Lee suspendeu as execuções no estado pelo restante do ano e determinou uma investigação independente sobre o ocorrido. Frank Strada, comissário do Departamento de Correções do Tennessee, anunciou sua renúncia.
A Suprema Corte dos Estados Unidos proíbe a execução de uma pessoa que não tenha uma compreensão racional do motivo pelo qual foi condenada à morte. Por isso, a extensão dos possíveis danos cognitivos sofridos por Pike poderá ter consequências jurídicas.
Republicanos do Tennessee, incluindo a senadora Marsha Blackburn, favorita para a eleição ao governo estadual, já sinalizaram apoio à continuidade das execuções por outro método, como a cadeira elétrica. Enquanto isso, os advogados de Pike buscam preservar registros relacionados à tentativa de execução e pediram que especialistas examinem eventuais resíduos das substâncias químicas, além das seringas e dos tubos intravenosos utilizados no procedimento.
A falha também levantou questionamentos sobre o sigilo mantido pelo estado em relação ao protocolo de injeção letal. Para David Raybin, advogado de Nashville que ajudou a redigir a legislação sobre pena de morte do Tennessee, o episódio ameaça a confiança pública no sistema.
— Todo o sistema judicial é colocado em xeque, pela maneira como isso aconteceu e pela forma como está sendo tratado — afirmou.
Últimas Notícias
Polícia apura série de mortes suspeitas de execução em SP
Christa Pike, que sobreviveu à injeção letal, não se lembra de tentativa de execução, diz médico da sua equipe
STF deve julgar revisão da condenação de Bolsonaro após eleições
Bets começam a informar bancos sobre R$ 1,3 bilhão a devolver
Ufal abre 131 vagas para professores substitutos com salário de até R$ 8,3 mil
Vídeos mais vistos
Homem que conduzia motocicleta pela contramão morre ao ter veículo atingido por carro, em Arapiraca
Ministro dos Transportes vistoria obras do VLT em Arapiraca
Julgamento de escultor, em Arapiraca
Prefeitura entrega óculos em Arapiraca

