Estudo da USP mostra que exercícios físicos, como caminhadas, ajudam a controlar crises de asma

Por Redação, com Jornal Nacional 07/10/2026 10h10
Por Redação, com Jornal Nacional 07/10/2026 10h10
Estudo da USP mostra que exercícios físicos, como caminhadas, ajudam a controlar crises de asma
Asma - Foto: iStock

No Brasil, um estudo do Hospital das Clínicas da USP mostrou que exercícios físicos, como caminhadas, ajudam a controlar as crises de asma.

Quem tem asma sabe o que é sofrer com essa doença.

“Eu não tinha a respiração controlada. Eu gosto muito de dançar. Então, eu dançava, tinha que bater bombinha, me cansava. Às vezes, perdia totalmente o fôlego, tinha que ir para o pronto-socorro para... Já fui para a UTI até”, conta Édila Ribeiro Paixão, coordenadora administrativa.

“Cansava muito, tinha muita falta de ar. Eu, se subisse aqui, eu ia direto para o pronto-socorro”, relata a dona de casa Maria Aparecida dos Santos Santana.

A asma é uma doença inflamatória dos brônquios. As crises de inflamação normalmente são reversíveis. Os sintomas são caracterizados por tosse, chiado e falta de ar. Geralmente, tem mecanismo alérgico como gatilho.

“Poeira, mofo, ácaros, produtos químicos, produtos de limpeza, perfumes, pelo de animais - cachorro e gato. Situações não alérgicas que também podem ser gatilho, e tem as asmas não alérgicas também. Então, tem gente que tem asma associada, por exemplo, a estresse emocional, a refluxo”, explica João Marcos Salge, médico pneumologista do Hospital das Clínicas - SP.

Só nos primeiros seis meses de 2026, o Sistema Único de Saúde fez mais de 29 milhões de atendimentos a pacientes com asma. Faz um tempo que a ciência descobriu que alguns exercícios físicos ajudam no controle da doença.

Um estudo da Faculdade de Medicina da USP foi além. A pesquisa dividiu 52 pacientes com asma moderada e grave em dois grupos. A dona de casa Maria Aparecida dos Santos Santana estava no que recebeu equipamentos que monitoram o número de passos diários. A Édila Simone Andrade Ribeiro Paixão participou do grupo que fez atividades aeróbicas, como caminhadas em esteiras com inclinação. 

As atividades, tanto para um quanto para outro grupo, eram duas vezes por semana.

Os pesquisadores monitoraram os dois grupos durante seis meses para avaliar como eles reagiam aos diferentes tipos de atividade física e constataram que uma simples caminhada, se feita com frequência, pode ser tão eficiente no controle da asma quanto suar a camisa nos treinos de uma academia. A Cida, que perdia o fôlego até andando lentamente, agora sobe ladeira, faz longas caminhadas e garante: melhorou muito.

“Muito melhor para mim, andar, caminhar. E minha autoestima também melhorou bastante. Meu estilo de vida mudou. Praticamente tudo”, diz a dona de casa Maria Aparecida dos Santos Santana.

O estudo, realizado por uma equipe de fisioterapeutas do Hospital das Clínicas de São Paulo, foi publicado em revista científica e já serve como referência para pesquisas internacionais.

“O paciente aumentando a caminhada no dia a dia já influencia no controle da doença. Entretanto, vale ressaltar que é um complemento no manejo da doença. Jamais o paciente, ele pode deixar de fazer a medicação. É um complemento para o manejo”, afirma David Araújo, fisioterapeuta e pesquisador da Faculdade de Medicina da USP.

“É uma libertação. Muito grande. Porque não respirar é terrível”, afirma Édila Simone Andrade Ribeiro Paixão.

“Mais passos, mais rápido, e fazendo mais atividade. Não. Não paro, não”, diz Maria Aparecida dos Santos Santana.