Não é só a idade: entenda por que a barriga do homem costuma aparecer depois dos 40

Por Assessoria 14/09/2026 19h07
Por Assessoria 14/09/2026 19h07
Não é só a idade: entenda por que a barriga do homem costuma aparecer depois dos 40
Barriga masculina após os 40 - Foto: iStock/Imagem Ilustrativa

Chegar aos 40 anos e perceber que as calças ficaram mais apertadas ou que a barriga começou a aparecer são situações comuns para muitos homens. A explicação, no entanto, não está simplesmente na passagem do tempo. Embora o envelhecimento provoque mudanças importantes no organismo, o aumento da gordura abdominal é resultado de uma combinação de fatores que envolvem metabolismo, composição corporal, alimentação, nível de atividade física e hábitos construídos ao longo dos anos.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, mostram que 67,1% dos homens brasileiros entre 40 e 59 anos apresentaram excesso de peso em 2019. Nessa mesma faixa etária, 30,2% conviviam com a obesidade.

De acordo com o médico, Caio Galvão, a obesidade é o principal fator causador da deficiência de testosterona nos homens, hormônio que fisiologicamente começa a ter uma queda na produção a partir dos 40 anos. “O estilo de vida, hábitos de atividade física, alimentação e o sono inadequado também vão causar um aumento na progressão dessa deficiência. Isso vai causar efeitos negativos tanto na parte metabólica, como no quadro clínico do paciente, apresentando mais fadiga, indisposição e queda da libido”, explica.

A tendência de colocar toda a responsabilidade na idade pode fazer com que muitos homens deixem de investigar as verdadeiras causas do ganho de gordura. Um dos fatores que podem contribuir para a mudança na composição corporal ao longo dos anos é a redução progressiva da massa muscular, especialmente entre pessoas que não realizam exercícios de força.

“Apesar de todos os homens apresentarem essa queda na produção de testosterona, se ele tiver hábitos de vida adequados, fizer acompanhamento médico de rotina e saber se vai precisar da reposição, provavelmente não vai apresentar esse aumento de gordura abdominal”, pontua o médico.

Na prática, isso significa que um homem que mantém aos 45 anos os mesmos hábitos alimentares de quando tinha 25 ou 30 pode começar a ganhar peso, principalmente se sua rotina tiver se tornado mais sedentária. A mudança costuma acontecer de maneira gradual e comportamentos como passar horas sentado e redução da prática esportiva pode criar um cenário favorável ao acúmulo de gordura.

As mudanças hormonais também podem fazer parte da investigação, mas não devem ser utilizadas como uma explicação automática para qualquer ganho de peso. Alterações nos níveis hormonais podem influenciar a composição corporal, a disposição e a manutenção da massa muscular.

“Quando um homem apresenta uma gordura abdominal, a testosterona é roubada por essa gordura, sendo transformada no hormônio do estradiol. No entanto, a queda da produção da testosterona pode ser a causa do acúmulo da gordura no abdômen, em um processo de retroalimentação. À medida que os homens emagrecem, a testosterona deixa de ser roubada por essa gordura e começa a circular na corrente sanguínea e aí os sintomas da deficiência começam a sumir”, destaca o profissional.

Caio Galvão ainda aponta que homens cada vez mais jovens têm apresentado a deficiência hormonal devido à obesidade e que essa situação pode causar problemas sérios de saúde. “A queda da testosterona vai causar aumento do risco cardíaco, como infarto e AVC, diminuição na massa muscular e ossos mais fracos. Dessa forma, homem vai chegar aos 60 ou 70 anos sem qualidade de vida, sem músculo e sem vitalidade. A testosterona não é um hormônio apenas sexual, mas que ajuda todo o conjunto da saúde do homem, sendo importante para todas as funções”, salienta.

Por isso, homens que percebem mudanças significativas e persistentes no corpo devem buscar avaliação individualizada, especialmente quando o ganho de gordura vem acompanhado de outros sintomas ou ocorre mesmo diante da manutenção de hábitos saudáveis.

“Estar atento à circunferência abdominal, que não deve passar dos 102 centímetros, além da avaliação de outros índices como a composição do corpo do homem ajuda a entender se há impactos negativos na saúde masculina”, finaliza o médico.