Organizadora de eventos de 'farmar aura' rebate críticas de Ary Fontoura e chama ator de 'betinha moggado'

Por Redação, com Splash UOL 18/08/2026 09h09
Por Redação, com Splash UOL 18/08/2026 09h09
Organizadora de eventos de 'farmar aura' rebate críticas de Ary Fontoura e chama ator de 'betinha moggado'
Harukinho - Foto: O Povo Quer Saber/Canal UOL

As críticas às competições de "farmar aura" foram classificadas pela organizadora e jurada de campeonatos Harukinho como uma reação exagerada e descontextualizada.

Durante sua participação no programa O Povo Quer Saber, programa de Chico Barney do Canal UOL, ela rebateu a repercussão negativa em torno dos encontros e ironizou as declarações de figuras públicas que se posicionaram contra a tendência.

A expressão "farmar aura" mistura a cultura dos videogames - onde "farmar" significa acumular pontos ou recursos de forma repetitiva - com o conceito de "aura", usado nas redes sociais para descrever o carisma, o estilo ou a presença marcante de alguém. Vídeos de eventos em que jovens competem por "aura" com gestos, danças e outros tipos de expressão viralizaram nas redes.

Ao ser lembrada por Uvitinho, também organizador de campeonatos de farmar aura, sobre um vídeo publicado pelo ator Ary Fontoura no final do mês passado - no qual ele criticava os eventos e afirmava esperar que "isso passe logo" -, Harukinho respondeu com ironia ao que chamou de julgamento apressado.

"Pra mim, ele é um betinha. Apenas um betinha moggado. Ficou com inveja do pessoal, não participou, ninguém convidou ele".

Gírias de internet

O termo "betinha" é um xingamento que surgiu em comunidades da chamada machosfera, subcultura masculina online associada a ideias misóginas, como os incels (homens que se consideram celibatários de forma involuntária) e "red pill". Classificar alguém como Beta vem do contraste com a ideia de um "macho Alfa", ou seja, uma figura dominante.

Já o verbo "moggar", de acordo com o dicionário Merriam Webster, vem da sigla AMOG (Alpha Male of the Group, ou Macho Alfa do Grupo, em português), e começou como uma forma de elogiar homens considerados mais atraentes e confiantes nos espaços da machosfera e comunidades de "looksmaxxing" (práticas para aprimorar a própria beleza e aderir a um padrão estético).

Hoje, no entanto, a gíria "mog" faz parte do vocabulário online fora dessas comunidades, e passou a significar simplesmente superar outra pessoa. "Moggar" alguém, por exemplo, significa ser mais bonito ou mais forte do que quem foi "moggado".

Na entrevista, Uvitinho disse ter estranhado a onda de reprovação nas redes e afirmou que parte das críticas vem de quem vê "15 segundos, 10 segundos de um vídeo" e não olha o evento inteiro. Ele também contou que recebeu ataques e ameaças no direct depois de publicar um flyer do campeonato que, segundo ele, teve "20 mil compartilhamentos".

"Eu acho que o pessoal que está criticando, ele está querendo ver 15 segundos, 10 segundos de um vídeo e não analisar o contexto todo".

Para os organizadores, a polêmica cresce porque a prática parece "estranha" para quem não acompanha a geração mais nova. Uvitinho comparou com modas de infância e disse que, no evento, viu participantes tímidos se soltarem e até se inspirarem a criar canal.

"É algo diferente que a molecada tá fazendo. É estranho, querendo ou não, é algo estranho, mas toda geração teve", diz Uvitinho.

Harukinho afirmou que, no caso de São Mateus, na zona leste de São Paulo, circularam boatos de que havia dinheiro público envolvido, o que ela chamou de "desinformação". Segundo ela, o apoio do poder público foi mais ligado à segurança e estrutura, como base policial, banheiro e limpeza.

"No caso do evento que ocorreu em São Mateus o pessoal estava achando que tinha dinheiro público envolvido, que a prefeitura estava investindo em uma coisa besta. Mas estava investindo na formação de aura e era só espalhação de desinformação", afirmou Harukinho.

A organizadora disse que o campeonato foi gratuito e bancado por patrocinadores e pelos próprios envolvidos, com prêmio, troféu e camisetas. Ela também contou que chegou a ser acusada de "jurada comprada", mas descreveu o clima como tranquilo.

"O pessoal achou que eu era uma jurada comprada. Teve esse momento. Falaram que eu estava comprada".

Ao explicar o que os jurados avaliam, Harukinho citou critérios como presença de palco, envolvimento com o público e originalidade, e disse que repetir o mesmo "passinho" em todas as fases fazia o participante perder pontos. Para ela, "farmar aura de verdade" tem a ver com postura e confiança.

"Forma aura de verdade é quando uma pessoa tem uma postura, traz uma coisa diferente que capta o olhar dos outros. Se a pessoa fez o mesmo passinho em todas as fases, já perdia ponto".

Afinal, o que é Farmar Aura?

Nos últimos meses, a expressão "farmar aura" ganhou força nas redes sociais e se transformou em uma das principais gírias da internet. Segundo Uuvitinho, o conceito mistura entretenimento, humor e a construção de um bom comportamento. Já Harukinho complementou que a ideia central é "somar, juntar a aura" para acumular "coisas muito boas" e ostentar "uma postura muito que o pessoal admira".

A origem do termo, no entanto, passa por referências curiosas que vêm tanto dos videogames quanto da cultura pop digital. Uuvitinho apontou que o verbo "farmar" remete à mecânica de coletar itens de videogame, enquanto Harukinho explicou que o processo envolve somar pontos de experiência e atitude.

O fenômeno também se conecta profundamente com a estética do TikTok e a chamada "cultura dos Sigmas". Harukinho destacou que a tendência cresceu inspirada em figuras masculinas de forte imponência e postura inabalável vistas em filmes e séries — como o Capitão Pátria (The Boys) ou Patrick Bateman (Psicopata Americano).