Tribunal de Justiça de Alagoas homenageia 20 mulheres em celebração da Lei Maria da Penha

Por Dicom TJ/AL 08/08/2026 08h08
Por Dicom TJ/AL 08/08/2026 08h08
Tribunal de Justiça de Alagoas homenageia 20 mulheres em celebração da Lei Maria da Penha
TJAL homenageia 20 mulheres em celebração da Lei Maria da Penha - Foto: Assessoria

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) celebrou, na sexta-feira (7), os 20 anos da Lei Maria da Penha com uma cerimônia no Centro de Cultura e Memória do Judiciário.

O evento reuniu integrantes do Sistema de Justiça e da rede de proteção às mulheres, e homenageou 20 profissionais que desenvolvem trabalhos voltados ao enfrentamento da violência doméstica e familiar.

A programação da cerimônia “Lei Maria da Penha – 20 anos protegendo mulheres” contou com atração musical, exibição de vídeo sobre a história da legislação, contextualização do trabalho desenvolvido com mulheres vítimas de violência em Alagoas, e a entrega das homenagens.

Representando a Presidência do Tribunal, o desembargador Tutmés Airan destacou que a Lei nº 11.340/2006 representou uma mudança decisiva na proteção das mulheres brasileiras e contribuiu para ampliar a consciência da sociedade sobre a violência de gênero.

“As mulheres se sentem hoje encorajadas, em boa medida, graças a essa lei. Então, é uma lei que tem que ser celebrada, não tenho a menor dúvida disso”, afirmou o desembargador. Para Tutmés Airan, a legislação constitui um importante instrumento das mulheres no enfrentamento à misoginia e às diferentes manifestações de violência.

O evento foi organizado pela Casa da Mulher Alagoana. A coordenadora da instituição, Paula Lopes, destacou que a celebração buscou reconhecer profissionais que contribuíram e continuam contribuindo para a proteção das mulheres vítimas de violência.

“Hoje realizamos uma grande homenagem a mulheres que fizeram e fazem história. A Lei Maria da Penha tem que ser comemorada porque ela defende a vida das mulheres”, afirmou.

Uma das homenageadas, a coordenadora da Mulher do TJAL, juíza Eliana Acioly, ressaltou que, apesar dos avanços obtidos nas últimas duas décadas, a sociedade enfrenta novos desafios, especialmente diante da desinformação e de discursos que podem contribuir para a naturalização da violência.

“Talvez o nosso desafio seja esse, de educação dos nossos meninos e meninas, educação dos homens, educação de nós, mulheres. Se não for isso, todos de mãos dadas, a sociedade toda, a gente não vai conseguir construir uma sociedade igualitária, livre de violência”, afirmou.

Segundo Eliana, o enfrentamento da violência exige participação de toda a sociedade, inclusive dos homens, e uma rede de proteção cada vez mais ampla. “Precisamos sempre contar uns com os outros nesse enfrentamento”, declarou.

A professora e pesquisadora Elaine Cristina Pimentel Costa, também homenageada, lembrou as mulheres que influenciaram sua trajetória pessoal, acadêmica e profissional. Ao recordar especialmente a atuação da própria mãe, destacou a importância da mobilização coletiva feminina. “Eu cresci vendo mulheres juntas, lutando por educação de qualidade”, afirmou.

A promotora de Justiça Stela Valéria, outra homenageada, destacou que os 20 anos da legislação representam também a afirmação de que a violência contra a mulher não deve ser naturalizada e de que Estado e sociedade têm o dever de oferecer proteção, acolhimento e garantia de direitos.

Ao relembrar histórias de mulheres que conseguiram reconstruir suas vidas após situações de violência, Stela ressaltou a importância de manter e ampliar os serviços de apoio. “Que possamos seguir fortalecendo a rede de proteção, ampliando oportunidades e afirmando todos os dias que nenhuma mulher deve caminhar sozinha”, disse.

Homenageadas


Eliana Acioly
– Juíza de Direito e coordenadora da Mulher do TJAL. É professora da Escola Superior da Magistratura de Alagoas e diretora da AMB Mulheres no triênio 2025-2028, com atuação voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Elaine Cristina Pimentel Costa
– Professora e diretora da Faculdade de Direito da Ufal, é doutora em Sociologia e pesquisadora nas áreas de feminismo, gênero, violência, segurança pública e sistema punitivo.
Stela Valéria
– Promotora de Justiça, mestre em Direito Público e assessora de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Alagoas. Já coordenou o Núcleo de Defesa da Mulher do MPAL e é autora de obras sobre violência doméstica e Lei Maria da Penha.
Mariana Costa de Araújo Jorge
– Agente da Polícia Civil, integra o Grupo Especial de Apoio à Investigação e a equipe de Comunicação e Administração do Observatório. Possui mais de 19 anos de atuação na Segurança Pública.
Marcelita Medeiros
– Assistente social formada pela Ufal, atua desde 2009 na área da violência doméstica. Integra a equipe multidisciplinar vinculada ao atendimento de mulheres e atualmente trabalha no CEJUSC de Violência Doméstica.
Ana Paula Araújo Rodrigues
– Analista Judiciária do TJAL, mediadora, conciliadora e facilitadora de Justiça Restaurativa. Atua em iniciativas relacionadas à violência doméstica e coordena a equipe de audiências virtuais do CEJUSC Processual da Capital.
Candyce Brasil
– Defensora Pública do Estado de Alagoas, atua no atendimento e na defesa de mulheres vítimas de violência na Casa da Mulher Alagoana.
Daniela Times
– Defensora Pública de Alagoas desde 2003. É titular da seção de defesa da mulher em situação de violência doméstica e familiar da Capital e atua também no atendimento inicial da Casa de Direitos, no Jacintinho.
Caroline Gomes Monteiro Souza
– Psicóloga e analista judiciária do TJAL desde 2013. Mestre em Psicologia, desenvolveu pesquisa sobre a retratação na Lei Maria da Penha e atua nas equipes multidisciplinares dos Juizados de Violência Doméstica.
Anelise Janine Aboim do Rego Lobão –
Psicóloga e analista judiciária, possui especialização em Psicologia Jurídica e atua há 12 anos no 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Maceió.
Monique Emanuelle de Souza Santos
– Assistente social e analista judiciária, atua no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Maceió desde 2013 e possui especializações relacionadas às políticas públicas e ao campo sociojurídico.
Charlene Souza da Silva
– Assistente social, mestre em Serviço Social, atua desde 2014 no 1º Juizado de Violência Doméstica de Maceió, com atendimento a mulheres, familiares e demais envolvidos, além da execução de projetos na área.
Karla Alvarenga
– Psicóloga com trajetória de atuação em proteção social e políticas públicas. Atualmente integra a Coordenadoria Estadual da Mulher do TJAL.
Vanessa Cavalcante
– Advogada e coordenadora jurídica do Centro de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM). Possui pós-graduação em violência doméstica, Direito Penal e Processo Penal e integra o Observatório de Igualdade de Gênero de Alagoas.
Aline Joyce Leal Lima
– Assistente social e mestre em Serviço Social pela Ufal. Integra a equipe técnica da Casa da Mulher Alagoana e também atua na Associação Pestalozzi de Maceió.
Allyne Amélia de Oliveira Lima Quixadá
– Assistente social com formação em políticas públicas e Serviço Social na Educação. Atua na assistência social de São Miguel dos Campos e integra a equipe técnica da Casa da Mulher Alagoana.
Marly Monteiro
– Assistente social e analista judiciária do TJAL desde 2022. Possui pós-graduação em Serviço Social no Sistema de Justiça e integra a equipe multidisciplinar da Casa da Mulher Alagoana.
Bruna Diniz
– Doutora em Psicologia Social, mestre em Psicologia e especialista em Psicologia Jurídica e Educação em Direitos Humanos e Diversidade. Integra a equipe técnica da Casa da Mulher Alagoana e atua também como psicóloga clínica.
Laíse Karolyne Fernandes de Almeida
– Assistente social com especializações em Gestão em Saúde, Políticas Públicas e Assistência Social. Integra conselhos de defesa dos direitos das mulheres e atua no setor de articulação da Casa da Mulher Alagoana.
Wanderlândia Lemos
– Atua no primeiro acolhimento a mulheres vítimas de violência na Sala Lilás da Arsal. Foi a primeira mulher atendida pelo Centro de Defesa dos Direitos das Mulheres e, posteriormente, passou a colaborar com a instituição como voluntária e palestrante.