Keiko Fujimori é declarada vencedora da eleição presidencial do Peru
Após semanas de análise de votos contestados, protestos e acusações de fraude em uma disputa acirrada, a conservadora Keiko Fujimori foi oficialmente declarada vencedora da eleição presidencial do Peru pelo órgão eleitoral do país nesta sexta-feira.
Keiko obteve 50,135% dos votos no segundo turno de 7 de junho, garantindo o cargo mais alto do país em sua quarta candidatura à Presidência, contra os 49,865% do senador de esquerda Roberto Sánchez — uma diferença de apenas cerca de 50 mil votos, de um total de 18 milhões.
Essa margem estreita representa uma reviravolta em relação à derrota por uma diferença mínima que Keiko sofreu em 2021, quando perdeu por cerca de 45 mil votos para o ex-presidente de esquerda Pedro Castillo. Castillo sofreu um processo de impeachment e foi preso por tentar dissolver o Congresso em 2022.
Sánchez era visto como o herdeiro político de Castillo e afirmou que não reconhecerá o governo de Keiko Fujimori após alegar, sem apresentar provas, fraude eleitoral. Sánchez, impulsionado por eleitores das regiões rurais do Peru, liderou a disputa no início da apuração e também venceu os votos computados dentro do país por uma margem estreita. Ele liderou marchas contestando o resultado e apresentou uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos contestando as eleições.
Keiko, por outro lado, foi impulsionada pelos eleitores da região da capital, Lima, e também liderou os votos registrados no exterior por uma ampla margem, o que a levou à vitória.
A disputa acirrada e prolongada destacou a profunda polarização do país e a turbulência política que resultou na destituição de vários presidentes na última década.
VITÓRIA DE KEIKO RECEBE ELOGIOS DE LÍDERES DA REGIÃO
Quando Keiko assumir o poder em 28 de julho, ela será a décima presidente a tomar posse desde o início de 2016. Ela sucederá o presidente interino José Balcazar, que assumiu em fevereiro após uma série de destituições presidenciais por acusações de corrupção ou abuso de poder.
A vitória de Keiko Fujimori reafirma a guinada à direita na América Latina, e outros líderes conservadores da região, incluindo Javier Milei, da Argentina, José Antonio Kast, do Chile, e Nayib Bukele, de El Salvador, já parabenizaram a presidente eleita.
Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cumprimentou Keiko pela vitória e se mostrou otimista com uma agenda bilateral entre os dois países.
"Parabenizo a presidenta eleita Keiko Fujimori por sua vitória nas eleições presidenciais peruanas. Desejo-lhe pleno êxito na condução de seu mandato", disse Lula em publicação no X.
"Estamos prontos para avançar numa agenda bilateral ambiciosa, focada na ampliação do comércio e dos investimentos, na integração da infraestrutura logística e digital, na superação da fome e da pobreza, na proteção da Amazônia e no combate ao crime organizado transnacional", acrescentou o presidente brasileiro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também parabenizou Keiko em comunicado na terça-feira, afirmando que o governo do presidente Donald Trump espera aprofundar a cooperação nas áreas de segurança, investimento e comércio.
Sua vitória também foi bem recebida pelos mercados, que haviam ficado abalados com a perspectiva de uma vitória de Sánchez. Na quinta-feira, a Moody’s divulgou um relatório afirmando que um governo Keiko Fujimori preservará a continuidade das políticas, reforçará a confiança dos investidores e ajudará o país a sustentar o crescimento.
O relatório acrescentou que isso poderia ajudar a desbloquear projetos de mineração paralisados no Peru, que é o terceiro maior produtor mundial de cobre.
DINASTIA POLÊMICA
Keiko, de 51 anos, é filha do falecido presidente Alberto Fujimori, que governou o país com mão de ferro de 1990 a 2000 e foi reconhecido por derrotar insurgentes maoístas e controlar a hiperinflação galopante do país.
Mas os Fujimori ainda são uma dinastia controversa no Peru. Alberto cumpriu 16 anos de prisão por violações dos direitos humanos, e Keiko passou anos sob investigação por alegações de irregularidades no financiamento de campanha, que foram arquivadas no ano passado. Ela ficou em prisão preventiva duas vezes, entre 2018 e 2020, passando quase um ano e meio na prisão.
Keiko terá agora a tarefa de unir uma nação polarizada com um Congresso fragmentado e propenso a destituir presidentes. O país também enfrenta uma enorme disparidade econômica entre a capital, Lima, e as áreas rurais, onde intensos protestos e confrontos com as forças de segurança deixaram mais de 60 mortos após a destituição de Castillo do cargo.
Essas áreas também eram o reduto de apoio de Sánchez, e seu partido, “Juntos pelo Peru”, detém o segundo maior bloco no Congresso, sendo que o partido de Keiko é o que possui o maior número de cadeiras.
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