Menino de 8 anos morre após bater o joelho jogando futebol e contrair bactéria comum
O pequeno Henry estava jogando futebol quando bateu o joelho no dia 18 de maio do ano passado. Sem sentir muita dor, ele continuou o jogo, sem imaginar que, a partir desse dia, esse simples machucado, aparentemente, se transformaria em um quadro extremamente grave.
Após contrair uma bactéria chamada Staphylococcus aureus, Henry teve falência múltiplas de órgãos e partiu com apenas 8 anos. Um ano depois dessa tragédia, mesmo em meio à dor do luto, sua mãe, a assistente de laboratório, Andriele Lopes Flores, de 30 anos, concordou em conversar com a CRESCER sobre como foram os últimos dias do filho.
Do jogo de futebol ao hospital
O dia 18 de maio era para ter sido mais um domingo normal. Henry saiu de casa para jogar futebol e acabou batendo o joelho. Como já estava acostumado com esse tipo de situação e não havia machucado aparente, ele continuou jogando.
Na volta para casa, Andriele percebeu que o filho estava mancando, mas como não havia reclamação de dor, a família seguiu para casa. No dia seguinte, o cenário mudou. "Quando eu cheguei em casa por volta das 17h30, percebi que ele estava quente e ele não conseguia mais caminhar direito, colocava o pé no chão e reclamava de dor", relatou a mãe, de Porto Alegre (RS), em entrevista à CRESCER.
Como Henry estava com febre, Andriele não pensou duas vezes e decidiu levá-lo ao pronto-socorro especializado em traumatologia. O exame de raio-X não apontou nada grave, apenas uma entorse, que é uma lesão em que os ligamentos se rompem.
Mas a febre sem explicação ainda deixava Andriele intrigada. Henry saiu do hospital medicado e com a orientação de passar compressa de gelo no local da lesão e fazer repouso por dois dias.
Dois dias depois da batida, o pequeno voltou a reclamar de uma dor na perna. "Havia saído no corpo dele umas bolinhas vermelhas, parecendo alergia", a mãe lembrou. "Levantei dei remédio para dor, e mais um para alergia, e, depois, pedi para ele deitar no meu peito enquanto o segurava com a mão. No dia seguinte, ele estava do mesmo jeito".
"Ele parecia outra criança"
A assistente de laboratório foi para o trabalho com o coração apertado. "Eu liguei por vídeo chamada, falei que o levaria novamente ao hospital, que eu o amava, e que era para ele dormir um pouquinho".
Não deu tempo nem de Andriele chegar à sua casa quando recebeu uma mensagem preocupante do marido: "Ele disse: 'o Henry acordou e está com a perna e a boca gelada e também muito pálido. Ele tinha piorado de uma maneira sobrenatural, o corpo dele se alastrou as manchas vermelhas e, agora, estava em todo o corpo, e ele não conseguia nem se mexer mais, tudo que ele mexia doía muito".
A mãe saiu imediatamente do trabalho e, quando chegou à sua casa, se deparou com uma cena angustiante: "Ele estava sentado no sofá, parecia outra criança. Eu chorava muito ao olhá-lo daquela forma. Tivemos que pegá-lo no colo para levar até o carro, enquanto ele gritava de dor; nem o pescoço mexia direito."
Henry chegou ao hospital como um paciente grave. Andriele se lembra de ver enfermeiros, técnicos e médicos, todos em volta do filho, tentando entender o que havia acontecido. "Eles me fizeram muitas perguntas e eu explicava tudo desde o começo. Tentavam achar a veia dele, mas estava muito difícil", disse a assistente de laboratório.
Andriele se recorda da correria do hospital até conseguirem pôr um cateter central na virilha do paciente. "Ele estava acordado, mas muito sonolento e perguntava o tempo todo se já estava acabando."
A princípio, os médicos pensaram ser um quadro de meningite bacteriana, já que os exames apontavam a presença de infecção bacteriana. Andriele não saiu do lado do filho. "Enquanto estava ali, fazia carinho nele e dava água na seringa para ele. Eu chorava muito de vê-lo naquele estado. A correria dos médicos para tentar fazer o máximo que eles podiam, conversavam muito comigo, principalmente os dois psicólogos que ficaram comigo para me acalmar", a mãe contou.
Andriele sentia que o caso do filho estava ficando cada vez mais sério. "Em alguns momentos, eu olhava a feição da face deles [dos profissionais de saúde] quando olhavam para a tela dos batimentos e saturação, e ali pude ver que o caso de Henry era muito grave".
Ao ver o filho ter um episódio de hipoglicemia, Andriele pensou que Henry partiria ali. "Eu o chamava e ele não respondia aos meus comandos. Perguntei para a médica: 'o que está acontecendo com ele?' e ela me explicou, a enfermeira veio e aplicou quatro ampolas de glicose nele e, depois de alguns segundos, ele “voltou”. Ele, então, me disse que o coração dele estava doendo".
A despedida
Embora tenha tido uma recuperação rápida, Henry precisou ser intubado. "Nesse momento, eu me desesperei mais ainda, havia muitos profissionais na volta dele para conduzi-lo para a sala vermelha e, nesse momento, ele olhou para mim e disse: 'Mãe, me deixa te dar um beijo? E eu falei: 'Deixa que a mãe te dá um beijo, filho (chorando muito)'. E logo ele me pergunta: 'Mãe, tu vai ficar bem?'. Essa pergunta me destruiu", a mãe desabafou.
Logo depois, ela ouviu a notícia que nenhuma mãe deveria receber: seu filho teve uma parada cardíaca e fazia 40 minutos que os médicos tentavam reanimá-lo. "Ela me disse: 'Tu gostarias de se despedir dele agora ou depois?' Eu não vi mais nada na minha frente, só lembro de sentar na cadeira que tinha atrás de mim e pensar: 'é mentira', 'não pode ser', 'eu não vou conseguir viver sem ele.'"
Os últimos momentos com o filho nunca mais sairão da memória de Andriele:
"Quando elas me conduziram até a sala onde ele estava, ainda estavam tentando reanimá-lo. Entramos eu e o pai dele na sala onde ele estava e nos ajoelhamos no chão, chorando tanto, e gritos ecoavam naquele hospital".
O diagnóstico
Após a perda do filho, Andriele voltou ao hospital e conversou com a coordenadora de pediatria do hospital. Os exames do pequeno constataram a presença da bactéria staphylococcus aureus, que havia entrado na corrente sanguínea do pequeno.
"Ela acabou afetando alguns órgãos dele que levaram à falência (fígado, medula óssea, rins, pulmão e coração). Foi em questão de horas a evolução. Mesmo que ele tivesse sobrevivido (que seria muito difícil), ele teria sequelas e teria que fazer hemodiálise", disse a mãe.
O que é a Staphylococcus aureus?
Parecida com um cacho de uva, a bactéria Staphylococcus aureus aparenta ser inofensiva, mas é capaz de levar ao óbito em pouco tempo. "O quadro infeccioso causado por essa bactéria é considerado grave e a evolução pode ser muito rápida", explicou o infectologista Paulo Olzon em entrevista anterior à CRESCER.
Onde a bactéria pode ser encontrada?
Ela é frequentemente encontrada na pele e dentro do nariz de pessoas saudáveis. No início, acreditava-se que ela era proveniente apenas de infecções hospitalares. No entanto, descobriu-se que a Staphylococcus também está entre as pessoas. A bactéria pode causar quadros graves, principalmente se houver oportunidade de entrada para o corpo por meio de pele lesionada ou procedimento médico.
Na maioria dos casos, ela é indefesa e causa pequenos problemas de pele, como acnes e furúnculos. Mas, dependendo de fatores como as características da bactéria e a suscetibilidade imunológica do paciente, ela é capaz de provocar infecções graves como pneumonia, meningite, endocardite e sepse, ou seja, infecção generalizada.
Quais são os sintomas?
Os sintomas variam muito, mas podem se manifestar como:
Vermelhidão e inchaço na pele,
Febre alta,
Dores musculares,
Vômito
Hemorragias.
"Em uma pessoa mais suscetível, como crianças, idosos e pessoas com outros problemas sérios de saúde, uma simples ferida pode ser a porta de entrada. A partir daí, a bactéria cai na corrente sanguínea e se espalha rapidamente pelo organismo. Ela pode atacar o fígado, destruir uma válvula cardíaca e até causar um abscesso cerebral, levando o paciente à morte em poucas horas", detalhou o infectologista.
Como prevenir?
Infelizmente, não existe uma vacina para proteger as pessoas da bactéria.
Dessa forma, a melhor e mais eficaz forma de evitar o contágio é:
Lavar as mãos regularmente com água e sabão;
Não coçar espinhas, machucados e feridas;
Manter uma alimentação saudável também é um grande aliado, já que ajuda a fortalecer o sistema imunológico.
O luto
Vivenciar a perda do filho tem sido a experiência mais difícil para Andriele. "Quando eu voltei do velório dele, enquanto eu arrumava as roupas, calçados, livros e brinquedos dele para a doação eu encontrei uma carta dele para mim, que fala: 'Mãe, aqui é o Henry, muito obrigado por cuidar de mim com amor e carinho. E fez um desenho meu e dele. Chorei muito ao ler, como se ele tivesse chegado no céu e me enviado', ela lembrou.
Como mensagem aos pais enlutados, ela diz: "A dor nunca deixa de existir, poque o amor de mãe não acaba. Mesmo em meio às lágrimas, Deus continua sendo a força para continuar," destacou.
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