Mãe PCD e com filho autista emociona ao relatar rotina de superação e amor em Arapiraca

Por Sidinéia Tavares/Redação 09/05/2026 18h06 - Atualizado em 10/05/2026 08h08
Por Sidinéia Tavares/Redação 09/05/2026 18h06 Atualizado em 10/05/2026 08h08
Mãe PCD e com filho autista emociona ao relatar rotina de superação e amor em Arapiraca
Henny com a mãe, Tereza e o filho Eduardo - Foto: Cortesia ao Já É Notícia

Ser mãe é, para muitas mulheres, a tradução do amor incondicional, como é o caso da arapiraquense Maria Rosiene de Lima, conhecida como Henny, a maternidade ganhou um significado ainda mais profundo: resistência, coragem e superação diária.

Aos 46 anos, ela carrega uma história marcada por desafios que poderiam ter interrompido sonhos, mas que se transformaram em combustível para seguir em frente e viver intensamente sua missão de mãe.

Mulher com deficiência física, após ter a perna amputada ainda na adolescência, ela convive diariamente com as limitações impostas pelo uso da prótese. Além de enfrentar um tumor na hipófise e os impactos que a condição traz para sua saúde. Ainda assim, nunca permitiu que as dificuldades definissem quem ela é.

“Ser mãe para mim é amor, determinação e amar sem medida. Eu amo meu filho sem medida e daria a minha vida por ele”, resume Henny.

O sonho da maternidade veio acompanhado de muitos obstáculos, pois, ainda durante a gravidez, enquanto se preparava para a chegada do filho, Henny também enfrentava a missão de cuidar do pai, que faleceu há pouco mais de seis meses, além de seguir dando assistência à mãe idosa, que possui dificuldades de locomoção. A rotina exigia idas ao hospital, cuidados intensos, força física e emocional para conciliar tudo.

Seu maior presente é Eduardo, hoje com 7 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte.

Henny conta que percebeu cedo alguns sinais, ainda nos primeiros anos de vida de Eduardo. “Ele mamava e não olhava nos meus olhos. Depois começou a andar na pontinha dos pés, empilhava carrinhos, sandálias e não falava nem ‘mamãe’. Diziam que cada criança tem seu tempo, mas eu sentia que tinha algo diferente.”

O diagnóstico trouxe respostas, mas também novos desafios. Embora muitas pessoas associem o nível 1 a algo “leve”, Henny reforça que a realidade é diferente. “As pessoas dizem que é leve, mas não é. Ele tem crises, sente dores fortes, principalmente à noite. Às vezes acorda chorando, se joga no chão e diz que sente uma agonia. É muito difícil.”

As noites, segundo ela, são especialmente delicadas. Uma vez que ela retira a prótese e fica com a mobilidade reduzida, tornando ainda mais desafiador acolher o filho quando ele precisa de colo, carinho e segurança. “Mesmo sem conseguir andar, eu abraço, balanço, faço o que for preciso. Eles precisam de muito amor.”

A maternidade atípica ensinou a ela uma das maiores virtudes: a paciência. Mais do que isso, mostrou que o amor é capaz de romper qualquer barreira física. Apesar de sua deficiência e do diagnóstico do filho, Henny deixa claro que isso não a impede de ser feliz e de seguir lutando. Mesmo diante da exaustão, Henny conta que não desistiu.

“Eu convivo com tudo isso. Supero minhas limitações todos os dias. Não sou infeliz. Sou feliz e muito grata por ser mãe.”

Neste Dia das Mães, sua mensagem ecoa como um abraço para tantas outras mulheres que enfrentam desafios semelhantes. “Não desistam de ser mãe. Ser mãe é um dom de Deus, é fé, coragem e amor. Se esse é o seu sonho, lute por ele. Fácil não é, mas vale cada esforço", conclui.