Em manifesto, professor que atirou em jantar chama Trump de ‘pedófilo’ e ‘estuprador’
O professor que foi o autor do ataque no jantar dos correspondentes da Casa Branca em um hotel de Washington no último sábado (25), enviou um manifesto a seus familiares cerca de 10 minutos antes de abrir fogo.
No texto, ele se autodenominou “assassino federal gentil” e justificou a ação fazendo referência ao escândalo sexual protagonizado pelo financista pedófilo Jeffrey Epstein, antigo amigo do então presidente Donald Trump. Um oficial do Serviço Secreto foi baleado no atentado.
Segundo informações divulgadas pelo jornal New York Post, no manifesto, ele expressou que não estava “mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes”, em uma aparente referência ao ex-presidente Donald Trump e ao financista Jeffrey Epstein, que se suicidou na cadeia em 2019.
O atirador estendeu sua justificativa com um discurso de defesa aos oprimidos. “Oferecer a outra face é para quando você mesmo é oprimido. Eu não sou a pessoa estuprada em um campo de detenção. Eu não sou um pescador executado sem julgamento. Não sou uma criança explodida, nem uma criança que passou fome, nem uma adolescente abusada pelos muitos criminosos deste governo”, escreveu.
Ele concluiu o raciocínio afirmando que “oferecer a outra face quando alguém está sendo oprimido não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”.
Qual a crítica do atirador à segurança do evento?
O homem também ironizou a suposta falta de segurança no jantar dos correspondentes da Casa Branca, um evento tradicional que, embora costume contar com a presença de presidentes, recebia Trump pela primeira vez. Ele afirmou que “agentes iranianos teriam conseguido introduzir no hotel um arsenal muito mais devastador, e ninguém teria percebido”.
“O que notei ao entrar no hotel foi a arrogância. Eu entrei com múltiplas armas, e ninguém considerou a possibilidade de que eu poderia ser uma ameaça. A segurança está toda do lado de fora, focada nos manifestantes. Aparentemente, ninguém pensou no que poderia acontecer se alguém fizesse o check-in no dia anterior. Em resumo, o nível de incompetência é insano”, destacou.
Ele chegou a insinuar que estaria disposto a matar para atingir seus objetivos. “Eu eliminaria quase todos aqui para chegar aos alvos se fosse absolutamente necessário (partindo do princípio de que a maioria das pessoas escolheu assistir ao discurso de um pedófilo, estuprador e traidor, sendo, portanto, cúmplices), mas espero sinceramente que não chegue a esse ponto”, escreveu.
O perfil do atirador e as acusações
O atirador é professor na cidade de Torrance, na Califórnia. Ele foi premiado como docente do mês em um centro de formação onde trabalhava em dezembro de 2024. Em seu perfil no LinkedIn, descrevia-se como “engenheiro mecânico”, “informático” e “desenvolvedor de videogames”.
Ele não possuía antecedentes penais e não era monitorado pela polícia. Contudo, a emissora CBS reportou que ele exibia “retórica anti-Trump e anticristã” em suas redes sociais. As armas usadas no ataque – um fuzil e uma pistola semiautomática – foram compradas legalmente.
O professor deve comparecer a um tribunal nesta segunda-feira (27), onde responderá por uso de arma de fogo em crime violento e agressão contra agente federal, em decorrência de um oficial do Serviço Secreto ter sido baleado no atentado. (ANSA)
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