VÍDEO: Cena do bacanal de Herodes gera críticas em encenação da Paixão de Cristo, em Gravatá (PE)
A apresentação do espetáculo “Nossa Paixão – A Luz do Mundo”, que encerrou a temporada 2026 nesta sexta-feira (4), causou polêmica no município de Gravatá, no Agreste do estado.
Realizado pelo Instituto Cultural e Ecológico Terra Agreste (ICETAG), com apoio da Prefeitura de Gravatá, por meio da Secretaria de Turismo, Cultura, Esportes e Lazer, o espetáculo retrata a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo e, há 43 anos, integra o calendário cultural do município na Semana Santa.
No entanto, a cena do Bacanal de Herodes, que retrata a luxúria, o poder e os excessos da corte, foi alvo de críticas de parte do público e de parlamentares, principalmente pelas vestimentas dos atores, consideradas muito sensuais por alguns espectadores, com destaque para o figurino masculino.
“É lamentável que a encenação da Paixão de Cristo de Gravatá tenha apelado para nudez e erotismo explícito na cena do Bacanal de Herodes. Um espetáculo religioso, que reúne famílias e crianças, deve prezar pelo respeito e pela espiritualidade”, criticou uma internauta em comentário no perfil oficial da Prefeitura de Gravatá no Instagram.
Por outro lado, houve quem ponderasse sobre o contexto histórico da encenação. “O figurino poderia ter sido melhor pensado, especialmente no caso dos homens, que ficaram mais expostos do que o necessário. Ainda assim, a cena retrata práticas da época e mantém sua relevância. Também há certa hipocrisia nas críticas, já que reações poderiam ser diferentes se a sensualidade fosse apresentada de outra forma”, avaliou outro usuário na mesma publicação.
Em meio à polêmica, o ICETAG divulgou, em suas redes sociais, uma nota de repúdio às críticas que o espetáculo vem recebendo em relação ao tom e à estética adotados na sequência.
“A Nossa Paixão é um espetáculo construído com profundo respeito à narrativa bíblica, que norteia toda a obra do início ao fim. Cada cena apresentada faz parte de um contexto maior, pensado de forma cuidadosa para transmitir a mensagem da Paixão em sua totalidade. Nenhum elemento é inserido de forma isolada ou fora desse propósito”, diz o pronunciamento.
O grupo afirma que é compreensível a existência de diferentes interpretações, especialmente diante de recortes específicos, mas defende que “o espetáculo seja compreendido em sua plenitude, e não a partir de trechos desconectados de seu contexto”.
Por fim, o grupo também reforçou a importância do respeito aos artistas e a todos os profissionais envolvidos na encenação. O espetáculo reuniu cerca de 200 artistas no palco e mais de 100 pessoas na produção.
“A Paixão de Cristo, acima de tudo, é um convite à reflexão, à fé e à empatia. Que esse olhar seja conduzido com responsabilidade e respeito”, finaliza a nota.
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