Fundador da Associação dos Cornos morre após infarto; grupo tinha 15 mil associados
O fundador da Associação dos Cornos, Pedro Soares da Silva, morreu aos 66 anos após sofrer um infarto, em Porto Velho (RO). Conhecido nacionalmente pela criação da entidade, ele liderava um grupo que chegou a reunir cerca de 15 mil associados, com direito até a carteirinha de identificação para os integrantes.
Ao longo dos anos, Pedro dizia com orgulho que a chamada “comunidade dos cornos”era democrática, sem distinção de classe, gênero ou orientação sexual. A associação oferecia, de forma gratuita, auxílio psicológico e jurídico, além de funcionar como um grupo de apoio para pessoas que enfrentavam situações de traição.
Servidor público por 39 anos na Câmara Municipal de Porto Velho, Pedro Soaresganhou notoriedade pela atuação à frente da Associação dos Cornos Rondonienses (Ascron), fundada em 1982. A ideia surgiu após experiências pessoais de traição, incluindo um episódio marcante em que flagrou a então esposa com um amigo. A partir disso, decidiu transformar a dor em acolhimento para outras pessoas.
Com o tempo, a Ascron cresceu e passou a reunir milhares de integrantes em todo o país. Para se associar, bastava a autodeclaração. Em troca, os membros recebiam suporte emocional, orientação jurídica e participavam de reuniões, inclusive emergenciais, em momentos delicados.
O apoio jurídico era um dos pilares da entidade, especialmente em casos de separação, divisão de bens e situações em que o traído era expulso de casa. A relevância social do trabalho levou Pedro a ser convidado para eventos como inaugurações de Delegacias da Mulher, já que defendia a resolução pacífica de conflitos e combatia a violência.
Nos anos 1980, quando o adultério ainda era considerado crime no Brasil e a tese da “legítima defesa da honra” era aceita em tribunais, Pedro incentivava os associados a evitarem atitudes violentas contra si mesmos e contra suas parceiras, reforçando a importância do autocontrole e da dignidade.
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