Perícia digital recupera provas de agressões virtuais que podem resultar em até quatro anos de prisão
O avanço das redes sociais e dos aplicativos de mensagens tornou a internet um espaço cada vez mais presente na vida de crianças e adolescentes. No entanto, o ambiente virtual também se transformou em palco para uma forma silenciosa e perigosa de violência: o cyberbullying. Especialistas alertam que ataques iniciados como supostas "brincadeiras" podem causar danos psicológicos profundos e acarretar graves consequências legais aos autores.
De acordo com o perito criminal Flaudízio Barbosa, chefe da Seção de Crimes de Informática do Instituto de Criminalística de Maceió, o cyberbullying caracteriza-se por práticas de intimidação, assédio, difamação ou violação de direitos por meio de ferramentas digitais, como redes sociais, plataformas de jogos e aplicativos de mensagens.
“As agressões ocorrem via mensagens ofensivas, criação de perfis falsos e divulgação de imagens ou áudios com o objetivo de constranger a vítima”, explica o perito.
.jpeg)
Sinais de alerta
Barbosa ressalta que pais e responsáveis devem estar atentos a mudanças bruscas de comportamento, que costumam ser o primeiro indicativo de que o jovem sofre violência digital. “Isolamento social, medo de ir à escola, irritação repentina e o hábito de desligar o dispositivo quando alguém se aproxima são sinais que merecem atenção redobrada”, destaca.
Embora muitos agressores camuflem o ataque sob a aparência de "piada", os impactos são severos. No campo emocional, as vítimas podem desenvolver ansiedade, depressão e, em casos extremos, chegar à automutilação e ao suicídio.
No âmbito jurídico, a prática é passível de punição rigorosa. Conforme explica o perito, o cyberbullying pode gerar pena de reclusão de até quatro anos, além de multas e indenizações por danos morais. Quando os autores são menores de idade, o caso é enquadrado como ato infracional, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O papel da Perícia Digital
A investigação desses crimes depende do trabalho de peritos criminais especializados em perícia digital. No Instituto de Criminalística de Maceió, a Seção de Crimes de Informática analisa dispositivos e vestígios tecnológicos para identificar os responsáveis.
“Nossa equipe realiza uma busca minuciosa por evidências digitais que permitam a identificação dos autores, utilizando ferramentas avançadas e metodologias da informática forense para auxiliar o processo penal”, afirma Flaudízio Barbosa.
Entre os vestígios analisados estão conversas em aplicativos de mensagens, arquivos armazenados em celulares e computadores, áudios, imagens e vídeos. Até conteúdos que foram apagados podem ser recuperados durante a análise pericial.
O perito esclarece que mesmo os conteúdos apagados — como conversas, fotos e perfis falsos — podem ser recuperados. A perícia utiliza tecnologias de extração de dados capazes de reconstruir evidências essenciais para a investigação.
O trabalho, no entanto, enfrenta desafios constantes. O volume de dados que circula diariamente na internet é gigantesco, e as tecnologias evoluem rapidamente. Por isso, os peritos investem continuamente em capacitação e atualização de ferramentas para acompanhar a evolução dos crimes digitais.

Orientações às vítimas e famílias
Para viabilizar a investigação, a recomendação principal é não apagar as provas. “Se possível, a vítima deve preservar o dispositivo, mantê-lo ligado e em modo avião, evitando qualquer alteração nos dados, até que ele seja analisado pela perícia”, orienta Barbosa. O especialista reforça que, embora as capturas de tela (prints) ajudem, a prova pericial oficial é o que garante a validade técnica e jurídica no processo judicial.
O perito ainda enfatiza que a prevenção começa no dentro de casa. O diálogo é a ferramenta mais eficaz para identificar possíveis agressões virtuais. “Os pais ocupam o papel central na orientação. Acompanhar o que os jovens acessam e observar mudanças de comportamento são atitudes essenciais para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital”, conclui.
Últimas Notícias
Mari Fernandez e Júlia Ribeiro anunciam gravidez do primeiro filho
Mulher usa caixão para aproveitar oferta de pipoca em cinema; entenda
Condenado por estupro de menor em Alagoas é preso na Bahia
TRE de Alagoas alerta para golpe com link falso sobre pendências eleitorais
WhatsApp cria recurso para pais poderem controlar conta dos filhos menores de 13 anos
Vídeos mais vistos
Homem que conduzia motocicleta pela contramão morre ao ter veículo atingido por carro, em Arapiraca
Delegado detalha prisão de autor de homicídio no Bosque das Arapiracas
Inauguração do Centro de Convenções de Arapiraca
Ordem de Serviço para pavimentação em bairros de Arapiraca

