Mais uma jovem afirma ter sido vítima de réu por estupro coletivo; já são 3 denúncias
Mais uma jovem procurou a polícia nesta terça-feira (3) e afirmou ter sido vítima de estupro por um dos integrantes do grupo investigado por um ataque coletivo contra uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Já são três denúncias.
Ela prestou depoimento na 12ª DP (Copacabana), onde chegou acompanhada da mãe.
“Essa terceira vítima o registro está sendo feito neste momento. A investigação está apenas no começo”, disse o delegado Angelo Lages.
Na segunda-feira (2), outra jovem também procurou a polícia e denunciou ter sido estuprada por pelo menos dois réus acusados no caso da adolescente. Segundo o relato, o crime teria ocorrido quando ela tinha 14 anos. Atualmente, a jovem está com 17.
Quatro pessoas são réus pelo crime de Copacabana, com o agravante de a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado.
A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os promotores destacaram, com base no relatório final da polícia, “a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima”.
Há ainda um menor investigado. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de mandado de apreensão contra ele.
Como se trata de um menor, a polícia desmembrou o inquérito e enviou uma representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pedindo pela apreensão por fato análogo ao crime. O caso é analisado pela Vara da Infância e da Juventude.
O delegado afirmou ainda que avalia pedir a quebra do sigilo telemático do menor e de outro suspeito, que se apresentou à polícia nesta terça, para avançar nas investigações.
Jovem procurou a polícia na segunda-feira
Uma segunda vítima procurou a polícia e denunciou ter sido estuprada por, pelo menos, 2 integrantes do mesmo grupo investigado pelo estupro coletivo. O novo depoimento foi prestado nesta segunda-feira (2) na 12ª DP (Copacabana).
De acordo com a nova denúncia, a menina tinha 14 anos na época dos fatos. Hoje, com 17, ela contou aos investigadores que mantinha um relacionamento com um dos envolvidos — o único menor de idade apontado no caso — que também é citado como participante do estupro coletivo já investigado.
A adolescente relatou que foi convidada a ir até a casa de um deles. Segundo o depoimento, ao menos dois dos suspeitos teriam participado da violência sexual e gravado imagens do crime e divulgado.
Desde o início das investigações, o delegado Angelo Lages vinha pedindo que possíveis outras vítimas dos suspeitos procurassem a delegacia para formalizar denúncia.
Segundo a Polícia Civil, foi exatamente o que ocorreu nesta semana, com o surgimento do novo relato.
Habeas corpus negados
Anteriormente, a Justiça do Rio de Janeiro tinha negado habeas corpus aos foragidos.
A TV Globo apurou que 3 dos 4 maiores de idade procurados pelo crime entraram com um recurso para suspender a prisão. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos.
Como o caso está em segredo de Justiça, o processo não mostra nenhum nome, e não foi possível saber os autores dos recursos.
Também não havia informações se todos tinham pedido habeas corpus ou se um deles não entrou com recurso.
O ataque em Copacabana
Segundo o inquérito da 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele, na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana.
Esse rapaz teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, a adolescente foi sozinha.
No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex, outros 4 rapazes entraram no cômodo.
A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem.
No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal. Tentou sair do quarto, mas foi impedida.
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As imagens também mostram o momento em que a vítima deixa o imóvel.
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal.
Também foram descritos grupos de manchas nas regiões dorsal e glúteas. Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
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