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Candidato a deputado estadual, Flávio Moreno, entra no ICHCA da Ufal, diz que universidade é “cercada de comunismo”

Por Política em Pauta 01/09/2026 17h05 - Atualizado em 01/09/2026 18h06
Por Política em Pauta 01/09/2026 17h05 Atualizado em 01/09/2026 18h06
Candidato a deputado estadual, Flávio Moreno, entra no ICHCA da Ufal, diz que universidade é “cercada de comunismo”
Candidato Flávio Moreno invade ICHICA da Ufal - Foto: Reprodução de vídeo

Aproveitando o período eleitoral, o candidato a deputado federal Flávio Moreno (PL) resolveu "visitar" o prédio do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Maceió. Na ocasião, o parlamentar gravou vídeos criticando símbolos, manifestações e elementos presentes no espaço universitário.

Flávio Moreno questionou a presença de referências políticas na universidade. Nas gravações, ele criticou uma representação de Che Guevara, mencionou banheiros de uso compartilhado e também fez críticas ao rompimento das relações com Israel. “Dentro de faculdade isso aqui não é lugar para isso. Quer fazer política, vai fazer em casa”, disse o candidato, que não ironicamente estava dentro do ambiente universitário fazendo política.

Enquanto Moreno realizava a gravação, houve discussão com estudantes nas dependências do instituto. Relatos compartilhados por integrantes da comunidade acadêmica apontam que um grupo identificado como sendo de direita teria chegado ao local em veículos com adesivos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo os relatos, algumas pessoas vestidas de preto retiraram panfletos das paredes antes da discussão.

Horas após o episódio, a direção do ICHCA divulgou uma nota oficial manifestando “veemente repúdio” aos atos de hostilidade e agressividade verbal ocorridos dentro da unidade. O instituto destacou que a universidade deve permanecer como um espaço de pluralidade, diálogo, livre pensamento e respeito mútuo.

Na manifestação, a direção afirmou que atitudes de violência, intimidação e agressão verbal são incompatíveis com a convivência acadêmica e não serão toleradas, independentemente de posicionamentos político-partidários ou ideológicos. A nota também informou que os órgãos de segurança foram acionados para apurar os fatos e identificar os envolvidos.

Segundo o ICHCA, a instituição não permanecerá omissa diante de episódios que possam comprometer a integridade física e psicológica de estudantes, professores e técnicos.

Ainda nesta terça-feira, o Conselho Universitário da Ufal (Consuni) aprovou por unanimidade o referendo à nota emitida pelo instituto, ampliando a posição institucional da universidade diante do ocorrido.

Durante a reunião, o reitor Josealdo Tonholo, presidente do Consuni, afirmou que a universidade adotará todas as providências necessárias para responsabilizar os envolvidos. Segundo ele, a Ufal não aceitará ataques contra sua comunidade acadêmica nem violações aos direitos de estudantes, docentes e servidores.

“Vivemos num país democrático e não vamos admitir que nossa comunidade universitária seja invadida e agredida em seus direitos. A Universidade Federal de Alagoas é um espaço de livre pensar”, declarou o reitor durante a sessão.

A Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) informou que está reunindo as imagens das câmeras de segurança instaladas no ICHCA para encaminhar o material às autoridades competentes, que darão continuidade às investigações sobre o episódio registrado no campus da Ufal.

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