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Vereador Siderlane Mendonça vira réu em denúncia do MP após operação da PF desmascarar esquema de “rachadinha” em Maceió
O vereador de Maceió José Siderlane Araújo de Mendonça tornou-se réu após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas, que aponta a existência de uma organização criminosa estruturada para desvio de recursos públicos por meio de “rachadinha”, lavagem de dinheiro e fraudes eleitorais. A ação foi aceita pela Justiça Eleitoral, tornando réus 16 investigados no caso.
Segundo a denúncia, o grupo teria atuado de forma contínua, organizada e hierarquizada entre 2018 e 2025, utilizando cargos comissionados na Câmara Municipal de Maceió para recolher parte dos salários de servidores, prática conhecida como “rachadinha”. Os valores, conforme o Ministério Público, seriam desviados para abastecer despesas pessoais, familiares e eleitorais não declaradas.
A investigação conduzida pela Polícia Federal reuniu um vasto conjunto de provas, incluindo quebras de sigilo bancário, análises financeiras, dados telemáticos, áudios, documentos apreendidos e planilhas detalhando movimentações financeiras. O material aponta para uma movimentação superior a R$ 2,8 milhões, com registros de saques em espécie, transferências direcionadas e ocultação de patrimônio.
De acordo com o MP, Siderlane Mendonça seria o líder do esquema, responsável por nomear e exonerar servidores, definir percentuais de devolução salarial e determinar o destino dos recursos desviados. A acusação sustenta que os valores eram utilizados tanto para financiar campanhas eleitorais — caracterizando caixa dois — quanto para custear despesas privadas, como aluguel, veículos e gastos pessoais.
A denúncia também destaca a participação de um núcleo familiar, incluindo a esposa e o filho do vereador, que teriam atuado na gestão de recursos e na administração de contas utilizadas para movimentações financeiras do grupo. Além disso, haveria um núcleo operacional e outro composto por “laranjas”, utilizados para ocultar a origem e o destino dos valores.
O inquérito teve origem em relatório de inteligência financeira que identificou movimentações atípicas em contas de campanha do vereador nas eleições de 2020, envolvendo transferências realizadas por servidores comissionados do próprio gabinete. A partir disso, foram aprofundadas as investigações, culminando no relatório final da Polícia Federal concluído em fevereiro de 2026.
Ainda conforme a peça acusatória, os crimes atribuídos incluem organização criminosa, peculato-desvio, lavagem de capitais, falsidade ideológica eleitoral, caixa dois e falsidade ideológica comum.
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