Blogs

Esperar: Entre o Relógio e a Fila

Por Thiago Abel com Thiago Abel 08/02/2026 18h06 - Atualizado em 08/02/2026 18h06
Por Thiago Abel com Thiago Abel 08/02/2026 18h06 Atualizado em 08/02/2026 18h06
Esperar: Entre o Relógio e a Fila
Tempo. - Foto: Thiago Abel, ChatGPT.

Esperar?
Esperar é um dos verbos mais difíceis de conjugar na primeira pessoa do singular, pelo menos para mim. Trocadilhos à parte, a espera é uma arte que poucos dominam hoje em dia. Ah, internet, você me paga… Se não fosse tu, ó guru do século XXI, eu e todos os que compartilham desta geração seríamos bem mais pacientes.

Fato curioso é que, após a Revolução Industrial inglesa do século XVIII, o relógio, criado para cronometrar a vida do indivíduo, tornou-se uma arma poderosa, cruel e castradora. Tenho um amigo que certa vez disse que, se ganhasse na loteria um prêmio grandioso, a primeira coisa que faria seria quebrar o relógio. E, olha, como isso faz sentido. A ânsia dele era se livrar da lógica milimétrica dos segundos e das horas.


Quando assisti pela primeira vez ao distópico O Preço do Amanhã, inquietei-me ao perceber que nossa vida, de fato, é traduzida em tempo de relógio. Uma calça pode custar uma semana da minha vida; um smartphone, então? Ficaria ainda mais grisalho do que já sou se somasse quantas horas dediquei a essa peça, descontadas, adivinha de quê? Da minha precisa existência.

Mas vamos à espera. Estou aqui numa fila de mercado e, pasmem, até chegar minha vez de passar os produtos no caixa deu tempo de escrever quase este texto todo. Demorou, hein? Esperar em uma fila nos obriga a repensar quanto tempo “perdemos” em atividades não muito relevantes. Uma fila parece um tempo precioso desperdiçado, que poderia ser usado em casa, já preparando a comida que comprei. Mas pera: essa fila não faz parte do processo de compra? E se for um livramento? Se, enquanto estou aqui, me livro de um acidente que poderia me tirar a vida?

Não sou lá um cara muito paciente, e isso me prejudica em muita coisa, inclusive. Se alguém chega e diz que tem algo para me contar, mas que eu tenho que esperar… Jesus! As teorias conspiratórias já me sobem pela pele, e as vozes da minha cabeça me entregam as piores certezas possíveis sobre o conteúdo da conversa.

Esperar é para poucos. Ajuda e é extremamente necessário em muitas áreas da nossa existência neste plano. Lembro de um tempo em que paciência não era escolha, era imposição da realidade: esperar o próximo capítulo no dia seguinte, alguém devolver a fita com o filme que você queria assistir, o momento exato da programação da rádio para gravar aquela música no K7 e por aí vai.

Este texto não é para ensinar uma grande lição, nem para exaltar minhas qualidades como espectador paciente da vida. É um desabafo, um clamor e até um pedido de socorro para que possamos aprender sobre a ciência grandiosa que é esperar o tempo das coisas.

Professor Thiago Abel

Comunicação por instinto;
Professor de história e atualidades;
Especialista em Psicopedagogia;
De esquerda;
Defensor dos direitos humanos;

Em constante adaptação pra encontrar a melhor versão de mim mesmo.

Blog voltado pras questões atuais que nos afligem. Educação, política, comportamento e tudo mais que me inquietar a opinar.

Sintam-se em casa!

Ver todos os posts