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A voz que me criou sem nunca ter me visto.
Final de tarde. Programa histórico em Arapiraca. “Jesus te ama”. Jô e Arimateia falando sobre fé, amor, perdão e misericórdia. Ao final do programa, uma canção me levou às lágrimas. Horas depois, me peguei assistindo a um vídeo no Instagram dessa figura que tem todo o meu respeito e admiração: Padre Zezinho.
Hoje, um senhorzinho de cabelos brancos e passos lentos. Outrora, um homem com a firmeza que a vida de um dos sacerdotes mais influentes do Brasil em todos os tempos exige.
Nas minhas lembranças mais antigas das músicas dele, viajo para os anos 90, com minha madrinha Elvira me levando para a Igreja de Santo Antônio, no bairro Cacimbas. O coração se enche de afeto com o som da voz da minha mãe cantarolando “Amar como Jesus amou”, me fazendo rir — aquele riso de criança que aprende do jeito mais puro. Dali vou para a adolescência, ouvindo meu pai cantar “Alô, meu Deus” enquanto colocava minhas irmãs para dormir na rede. Chego à vida adulta: me afasto da religião, vivo crises e dúvidas de crença, e refaço o caminho de volta. Reconecto minha fé ao ouvir e cantar, chorando, “Maria da minha infância”. Minha mãezinha do céu me acolhe nas letras de Zezinho.
Em toda a minha trajetória, a catequese desse grande homem foi referência: formou caráter, solidificou minha fé e me aproximou de Deus. Não me recordo de uma fase desses meus 36 anos em que ele não estivesse presente.
Como pode, né? Uma pessoa que você nunca viu na vida ser tão determinante na sua formação? Chega a ser um laço quase parental: de afeto, presença, cuidado, educação, e, nesse caso, de fé.
A música tem esse poder. Ela traz para perto quem está longe e eterniza momentos de um jeito tão preciso que nem mesmo uma fotografia em alta resolução seria capaz. Como podemos ser tão profundamente marcados pelo que outro ser humano produz sem nunca termos tido qualquer vínculo direto? Como podemos ser fruto de algo que não foi criado especificamente para nós? Como ensinamentos tão importantes podem vir de completos desconhecidos?
Sei que a música tem inúmeros poderes. Mas, sem dúvida, as letras e melodias de artistas como Zezinho quebram barreiras geográficas e temporais, tornando-se imortais nos ouvidos das gerações que as repassam adiante.
Professor Thiago Abel
Comunicação por instinto;
Professor de história e atualidades;
Especialista em Psicopedagogia;
De esquerda;
Defensor dos direitos humanos;
Em constante adaptação pra encontrar a melhor versão de mim mesmo.
Blog voltado pras questões atuais que nos afligem. Educação, política, comportamento e tudo mais que me inquietar a opinar.
Sintam-se em casa!
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