Por que o AVC e o infarto estão atingindo cada vez mais adultos jovens?

Por Notícias ao Minuto 28/08/2026 17h05
Por Notícias ao Minuto 28/08/2026 17h05
Por que o AVC e o infarto estão atingindo cada vez mais adultos jovens?
Especialistas defendem que prevenção deve começar décadas antes do surgimento dos primeiros sintomas - Foto: © iStock/Notícias ao Minuto

Mais de duzentas mil pessoas morreram em decorrência de doenças cardiovasculares no Brasil entre janeiro e junho de 2026, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)1. No ano anterior, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) foi responsável por 64.471 mortes no país – uma média de um óbito a cada seis minutos –, de acordo com levantamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF)2, com base em dados do Registro Civil.

O impacto das doenças cardiovasculares também tem avançado entre a população mais jovem. Informações do Ministério da Saúde3,4 indicam que, entre 2000 e 2024, as internações por infarto entre brasileiros com menos de 40 anos aumentaram 180%, reforçando o alerta para a adoção de medidas de prevenção e o controle dos fatores de risco desde a juventude.

Para Carlos Rassi, coordenador de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, esse quadro reflete, sobretudo, a piora dos hábitos de vida.

“O aumento dos infartos em adultos jovens é multifatorial. Obesidade, sedentarismo, alimentação baseada em ultraprocessados, má qualidade do sono, estresse crônico, tabagismo, uso de cigarros eletrônicos e casos cada vez mais precoces do diabetes tipo 2 estão entre os principais fatores de risco para problemas cardiovasculares", diz.

O especialista destaca ainda que o uso de drogas, anabolizantes, estimulantes e nicotina em altas doses, são frequentemente associadas aos casos mais precoces de doenças cardiovasculares atendidos nos hospitais. A predisposição genética continua sendo um dos principais fatores de risco, especialmente para quem possui histórico familiar de infarto em idade precoce.

Sem atalhos para proteger o coração

Em meio à popularização de suplementos e estratégias conhecidas como biohacking – prática de usar a ciência, a tecnologia e o estilo de vida para mudar e melhorar o funcionamento do corpo e da mente–, o cardiologista afirma que as evidências científicas continuam apontando para medidas já consolidadas.

"Não existem evidências robustas de que suplementos ou protocolos de biohacking sejam superiores às estratégias clássicas de prevenção cardiovascular. As diretrizes das principais sociedades médicas mostram, de forma consistente, que os maiores ganhos em longevidade e redução do risco cardiovascular vêm da combinação de hábitos saudáveis", afirma Rassi.

Além da alimentação equilibrada, da prática regular de atividade física e do controle da pressão arterial, colesterol e diabetes, o médico destaca que fatores muitas vezes negligenciados também influenciam diretamente a saúde do coração e do cérebro.

"O estresse persistente favorece a liberação contínua de cortisol e adrenalina, aumenta a pressão arterial, intensifica processos inflamatórios e compromete o sono e a alimentação, independente da faixa etária. Estudos mostram que pessoas submetidas a níveis elevados de estresse podem apresentar aumento de 20% a 30% no risco de eventos cardiovasculares”, explica.

O médico reforça que roncos intensos, sono fragmentado e apneia obstrutiva do sono também merecem atenção. Mesmo entre pessoas que dormem oito ou nove horas por noite, esses distúrbios aumentam o risco cardiovascular.Fazer Check-up Cardíaco

Outro desafio é que doenças como hipertensão e aterosclerose costumam evoluir de forma silenciosa. Sinais como falta de ar aos esforços, cansaço persistente, palpitações, tonturas, dor na mandíbula ou nas costas durante atividade física e até disfunção erétil podem anteceder um infarto ou AVC, mas frequentemente são ignorados, sobretudo pelos mais jovens.

"O ideal é que a avaliação cardiovascular comece antes dos 40 anos, especialmente para quem tem histórico familiar de doença cardiovascular precoce, hipertensão, diabetes, obesidade ou tabagismo", recomenda o cardiologista.