Quase 4 em cada 10 adultos com sintomas de insônia usam remédios de 5 a 7 noites por semana, diz estudo

Por Redação, com g1 14/08/2026 11h11
Por Redação, com g1 14/08/2026 11h11
Quase 4 em cada 10 adultos com sintomas de insônia usam remédios de 5 a 7 noites por semana, diz estudo
Insônia - Foto: Reprodução

Mesmo entre pessoas que buscam alternativas não farmacológicas para tratar a insônia, o uso frequente de medicamentos para dormir é uma realidade expressiva no Brasil. 

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP avaliou 1.158 adultos com sintomas de insônia e revelou que 60% deles utilizavam algum remédio para dormir. Desses, 38% faziam uso contínuo, consumindo as substâncias de cinco a sete noites por semana, enquanto 40% admitiram se automedicar.

Publicada na revista cientifica Sleep Science, a pesquisa mapeou que os medicamentos da categoria "Z", com destaque para o zolpidem, foram os mais citados tanto no consumo ocasional quanto no contínuo. Em seguida, figuraram os benzodiazepínicos, antidepressivos sedativos, relaxantes musculares e anti-histamínicos. Entre os participantes sem prescrição médica, prevaleceu o uso de produtos liberados sem receita e relaxantes musculares.

De acordo com a coordenadora do estudo, Renatha El Rafihi-Ferreira, a gravidade da insônia foi o principal fator associado à decisão de recorrer aos remédios: a cada ponto extra no Índice de Gravidade da Insônia (ISI), a chance de consumo subia 14%. A pesquisa também identificou que participantes brancos apresentaram 55% mais chances de usar medicamentos do que pretos e pardos, disparidade que os autores associam a desigualdades estruturais e ao acesso diferenciado aos serviços de saúde e a terapias.

Apesar da alta taxa de consumo, a pesquisadora enfatiza que os fármacos têm papel legítimo no tratamento e não devem ser demonizados, mas sua indicação exige análise médica individualizada. Por outro lado, o uso prolongado e sem acompanhamento pode gerar tolerância e dependência. Para quem já faz uso contínuo, a recomendação categórica é não interromper o tratamento por conta própria, mas sim buscar supervisão profissional para um desmame seguro.

A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) continua sendo o tratamento de primeira linha recomendado pelas diretrizes médicas. Ela vai além da simples "higiene do sono" ao reestruturar comportamentos e a ansiedade relacionada ao ato de dormir. Especialistas destacam que forçar o sono gera vigilância e piora o quadro, reforçando que o tratamento deve alinhar psicoterapia e manejo responsável de medicamentos para ampliar a qualidade de vida do paciente.