Caso Maria Daniela: Apesar de laudos contrários, defesa de suspeito chama acusações de “fantasiosas” e diz que advogadas da vítima pediram R$ 20 milhões em indenização

Por Redação 08/08/2026 10h10 - Atualizado em 08/08/2026 10h10
Por Redação 08/08/2026 10h10 Atualizado em 08/08/2026 10h10
Caso Maria Daniela: Apesar de laudos contrários, defesa de suspeito chama acusações de “fantasiosas” e diz que advogadas da vítima pediram R$ 20 milhões em indenização
Caso Maria Daniela - Foto: Redes Sociais

Em entrevista ao repórter Bruno Rafael, o advogado André Dantas, que faz a defesa de Victor Bruno, preso por estuprar a jovem Maria Daniela, contestou as acusações de estupro, dopagem, agressões e tentativa de feminicídio, classificando algumas das hipóteses levantadas durante a investigação como “fantasiosas”.

As declarações, porém, entram em choque com elementos que foram oficialmente divulgados ao longo da apuração policial e do processo judicial.

Victor Bruno foi preso no dia 10 de julho, em Taquarana, após permanecer foragido por mais de um ano. Segundo o promotor de Justiça Lucas Mascarenhas, a fase de produção de provas foi encerrada e o processo avançou para as alegações finais, antes de ser encaminhado para sentença.

A defesa sustenta que não existem elementos capazes de comprovar as versões de dopagem e estupro e questiona a forma como informações do processo chegaram à imprensa. André Dantas também criticou a exposição pública do caso e afirmou que o sigilo processual deveria proteger principalmente a intimidade e a imagem de Maria Daniela.

O argumento sobre a suposta fragilidade das provas, entretanto, contrasta com informações divulgadas pela própria investigação. Segundo registros publicados sobre o inquérito, exames toxicológicos realizados na jovem identificaram cinco substâncias no organismo: diazepam, fenitoína, haloperidol, nordiazepam e prometazina. A presença dessas substâncias foi utilizada pela investigação para sustentar a suspeita de que Maria Daniela teria sido dopada antes da violência.

A investigação também apontou que a jovem sofreu graves lesões físicas e traumatismo craniano, permanecendo cinco dias em coma. Conforme informações divulgadas durante a apuração, houve ainda comprometimento neurológico associado à privação de oxigênio. Esses elementos foram considerados pela acusação ao sustentar a hipótese de tentativa de feminicídio por asfixia.

É justamente nesse ponto que surge uma das principais contradições entre o discurso da defesa e o histórico oficial do caso. Enquanto André Dantas afirma que hipóteses como tentativa de feminicídio não encontraram respaldo nos autos, o processo judicial é descrito pelo Ministério Público de Alagoas como uma ação que apura, entre outros fatos, estupro e tentativa de homicídio contra Maria Daniela. Em fevereiro de 2026, inclusive, a Justiça realizou audiência de instrução com participação do MPEAL, da assistência de acusação e da defesa.

Outro ponto questionado pela defesa é a alegação de que teria sido criado um “circo midiático” em torno do caso e que Victor inicialmente teria agido de maneira incompatível com a imagem de um agressor. André Dantas afirma que, depois de Maria Daniela passar mal, foi o próprio acusado quem a levou para atendimento médico, permaneceu no local e posteriormente compareceu à delegacia.

Esse comportamento, porém, não elimina por si só a necessidade de investigação sobre o que teria ocorrido antes do atendimento. De acordo com os elementos divulgados pela Polícia Civil, Maria Daniela teria sido levada pelo próprio Victor Bruno para uma unidade de saúde depois de apresentar graves sinais de violência. A investigação passou a analisar justamente a sequência dos acontecimentos entre a confraternização, a ida para a chácara e o atendimento médico.

A defesa também pretende questionar a origem das substâncias encontradas no organismo da jovem e as circunstâncias do atendimento médico. A estratégia deverá ser apresentada nas alegações finais, etapa em que os advogados poderão confrontar formalmente os laudos, depoimentos e demais provas produzidas durante a instrução.

Mas há outro aspecto que enfraquece a afirmação de que as acusações seriam apenas versões criadas fora dos autos: a existência de uma investigação policial formal que resultou em pedido de prisão preventiva e, posteriormente, no cumprimento do mandado. Victor Bruno não foi simplesmente detido em razão da repercussão pública. A prisão preventiva havia sido decretada pela Justiça e permaneceu válida após a audiência de custódia.

O próprio Ministério Público informou que, após a audiência de instrução realizada em julho, não havia novos pedidos de diligências a serem realizados. Segundo o promotor Lucas Mascarenhas, foram ouvidas testemunhas que ainda não haviam prestado depoimento e o próprio Victor Bruno teve a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos. Com o encerramento da instrução, o processo seguirá para alegações finais e, posteriormente, sentença.

O advogado André Dantas afirma que informações de um processo protegido por segredo de Justiça foram vazadas e critica a exposição pública da jovem. Ao mesmo tempo, a defesa sustenta que a própria assistência de acusação contribuiu para a divulgação do caso ao conceder entrevistas e publicar imagens de Maria Daniela.

A acusação, por sua vez, tem defendido publicamente a continuidade das investigações e a responsabilização dos envolvidos. Após a prisão, a advogada Júlia Nunes afirmou que o trabalho não terminaria com a captura de Victor Bruno e que outras circunstâncias ainda deveriam ser esclarecidas.

Também permanece em aberto a discussão sobre eventuais pessoas que teriam auxiliado Victor Bruno durante o período em que ele permaneceu foragido. A defesa da vítima já havia cobrado investigação sobre possíveis apoiadores, embora não exista, até o momento, confirmação oficial de participação de agentes políticos ou de terceiros nesse suposto auxílio.

Outro elemento apontado pelo advogado André Dantas é que a defesa de Maria Daniela teria pedido uma indenização de R$ 20 milhões.

O valor pretendido coloca no centro da disputa não apenas a responsabilização criminal, mas também a reparação pelos danos físicos, neurológicos e psicológicos alegadamente provocados pelos acontecimentos de dezembro de 2024.

Maria Daniela ficou cinco dias em coma após o episódio e, segundo relatos e informações divulgadas sobre o caso, passou a conviver com graves sequelas neurológicas, necessitando de auxílio para atividades que antes realizava de forma independente. A extensão dos danos é um dos elementos que deverá ser considerado nas discussões sobre eventual reparação civil.