Menina de 18 meses tem as duas pernas amputadas por ter nascido sem um órgão

Por Redação com O Globo 20/07/2026 19h07
Por Redação com O Globo 20/07/2026 19h07
Menina de 18 meses tem as duas pernas amputadas por ter nascido sem um órgão
Ausência de baço faz infecção evoluir e leva criança à amputação das pernas nos EUA - Foto: Redes sociais

Quando a americana Mady, de apenas 18 meses, acordou sonolenta em uma manhã de outubro de 2023, a mãe, Kory Loden, acreditou que a filha tivesse contraído a mesma infecção do irmão mais velho. Em poucas horas, porém, a menina entrou em choque séptico, precisou ser colocada em suporte de vida e, meses depois, teve as duas pernas amputadas. O caso foi relatado por Loden e ganhou destaque por revelar uma condição rara até então desconhecida pela família: a ausência do baço, conhecida como asplenia.

— Ela estava bem quando foi dormir na segunda-feira. Na manhã de terça-feira estava letárgica e, naquela noite, estava à beira da morte — contou a mãe, em entrevista ao Daily Mail neste domingo (19).

Segundo Loden, a preocupação aumentou quando a filha passou a recusar alimentos e líquidos, desenvolveu febre e apresentou coloração arroxeada nos lábios e nos pés. Após ser levada ao hospital, Mady foi transferida de ambulância e, depois, de helicóptero para um hospital infantil. Durante o trajeto, os pais receberam uma ligação autorizando, verbalmente, uma eventual reanimação da criança.

— Perguntei se minha filha ficaria bem, e a paramédica respondeu que ela não havia reagido ao soro, o que não era um bom sinal. Foi uma ligação aterrorizante — relembrou.

Diagnóstico revelou condição rara

No hospital, os médicos identificaram que Mady sofria de choque séptico e coagulação intravascular disseminada (CIVD), distúrbio raro que pode provocar falência de órgãos e hemorragias graves, conforme explica a Cleveland Clinic. Pouco depois, uma cirurgia cardíaca de emergência levou à descoberta da causa do agravamento: a menina nasceu sem baço.

De acordo com a Cleveland Clinic, o baço desempenha papel fundamental no sistema imunológico, ajudando o organismo a combater bactérias. Sem o órgão, infecções comuns podem evoluir rapidamente para quadros graves. No caso de Mady, uma pneumonia estreptocócica foi suficiente para desencadear a sepse.

Após seis dias em suporte de vida, a menina começou a se recuperar, mas a má circulação causada pelo choque séptico levou à amputação das pernas e de parte dos dedos das mãos. Hoje, quase três anos depois, ela utiliza próteses, voltou a caminhar e segue em acompanhamento médico permanente.

— Ela está muito bem agora. Aprendeu rapidamente a andar com as próteses e praticamente não se lembra do trauma. Sempre que tem febre, vamos imediatamente ao pronto-socorro, e ela precisará tomar antibióticos preventivos pelo resto da vida — afirmou a mãe.