Servidor amputa a propria perna para aplicar golpe de R$ 1,5 milhão no seguro

Por Redação com Metrópoles 19/06/2026 15h03
Por Redação com Metrópoles 19/06/2026 15h03
Servidor amputa a propria perna para aplicar golpe de R$ 1,5 milhão no seguro
Homem teve perna amputada para tirar seguro - Foto: Reprodução

Um servidor público de Amélia Rodrigues, na Bahia, foi condenado pela Justiça após uma fraude que chamou a atenção pela crueldade e pelo planejamento.

Segundo as investigações, ele amputou o próprio pé direito apenas um mês depois de contratar quatro seguros de vida e acidentes pessoais, que previam indenizações de até R$ 1,5 milhão em caso de invalidez permanente. O caso ocorreu em 2019, mas a condenação transitou em julgado em 2025, sem possibilidade de novos recursos.

De acordo com a Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos, ele deverá cumprir pena alternativa de 720 horas de prestação de serviços à comunidade e pagar prestação pecuniária de R$ 7.590. A condenação por estelionato foi fixada em dois anos de reclusão, convertida em medidas restritivas de direitos.


As investigações revelaram que, entre junho e julho de 2019, o servidor contratou quatro apólices de seguros de vida e acidentes pessoais. Pouco tempo depois, na madrugada de 10 de julho, ele simulou ter sido vítima de um assalto em uma estrada do povoado de Mercês, na zona rural de São Gonçalo dos Campos.  

Inicialmente, o caso foi registrado como um roubo seguido de mutilação. O pé amputado foi colocado em uma mochila e encontrado junto aos pertences que, segundo a versão apresentada por ele, teriam sido levados pelos criminosos. Socorrido, ele passou por cirurgia e iniciou rapidamente os procedimentos para receber as indenizações previstas nos contratos

No entanto, o elevado valor das apólices e a contratação simultânea dos seguros despertaram suspeitas nos sistemas de inteligência das seguradoras. A Polícia Civil foi acionada e, durante as investigações, encontrou uma série de inconsistências na narrativa do servidor.

Além da contratação das quatro apólices poucas semanas antes do episódio, chamou a atenção dos investigadores a rapidez com que o homem protocolou os pedidos de indenização. Os policiais também concluíram que não havia qualquer motivação plausível para um suposto sequestro seguido de amputação, sem exigência de resgate ou outra vantagem para os autores do crime.

Golpe do seguro

Exames periciais e diligências demonstraram que a história do assalto havia sido inventada para aplicar o chamado “golpe do seguro”. A sentença destacou que a sequência das contratações, os valores incompatíveis com a condição financeira do servidor e a proximidade entre a contratação dos seguros e a automutilação evidenciavam a intenção deliberada de obter vantagem indevida.