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PF é acionada para investigar aplicação de R$ 117 milhões do IPREV na gestão JHC

Por Assessoria 18/06/2026 16h04
Por Assessoria 18/06/2026 16h04
PF é acionada para investigar aplicação de R$ 117 milhões do IPREV na gestão JHC
PF é acionada para investigar aplicação de R$ 117 milhões do IPREV na gestão JHC - Foto: Assessoria

A crise envolvendo os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (IPREV) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (18). Representantes dos sindicatos que defendem servidores ativos, aposentados e pensionistas protocolaram, na Superintendência Regional da Polícia Federal em Alagoas, um pedido formal de investigação sobre a aplicação de mais de R$ 117 milhões em Letras Financeiras do Banco Master durante a gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC.

O documento foi entregue à superintendente regional da Polícia Federal, delegada Bruna Rizzato Barbosa, acompanhado de um relatório técnico que reúne dados oficiais, informações previdenciárias, denúncias encaminhadas a órgãos de controle, reportagens investigativas e análises sobre a governança do IPREV.

Segundo as entidades, os recursos investidos possuem natureza previdenciária e pertencem aos milhares de servidores municipais que contribuem mensalmente para garantir suas aposentadorias e pensões. Por isso, defendem que o caso seja tratado como uma questão de interesse público e não apenas administrativa.

No pedido encaminhado à Polícia Federal, os sindicatos afirmam que os recursos foram aplicados em condições consideradas incompatíveis com a legislação previdenciária e pedem apuração de possíveis ilícitos penais, além de eventual responsabilização por improbidade administrativa.

O presidente do Sinteal, Izael Ribeiro Gomes, afirmou que a mobilização sindical para investigar o destino dos recursos não começou agora.

“Desde novembro nós entramos com um pedido ao Tribunal de Contas da União para investigar para onde foram os R$ 117 milhões do Banco Master. De lá para cá, nós não tivemos respostas nem do Fundo de Previdência. Estamos acompanhando esse processo e agora buscamos uma investigação da Polícia Federal”, declarou.

Segundo ele, o principal objetivo é recuperar os recursos que pertencem aos servidores municipais.

“Estamos aqui para pedir que os órgãos de controle institucional e a Polícia Federal investiguem para que o fundo possa receber de volta o dinheiro que foi retirado. Estamos falando da contribuição das trabalhadoras e dos trabalhadores, descontada durante anos dos salários para garantir a aposentadoria de cada um deles”, afirmou.

Além dos R$ 117 milhões aplicados no Banco Master, o dossiê elaborado pelas entidades aponta outros investimentos que também despertam preocupação.

“Através dos portais da transparência montamos um levantamento que mostra, além dos R$ 117 milhões, mais de R$ 50 milhões em um fundo imobiliário. Nós não sabemos exatamente como foi feita a escolha desse fundo, quais critérios foram utilizados e como ocorre o acompanhamento desses recursos”, disse Izael.

O dirigente sindical destacou que o relatório entregue à PF foi construído justamente para subsidiar uma investigação mais ampla sobre a gestão dos recursos previdenciários.

“Estamos tratando do salário das pessoas. É o dinheiro depositado mensalmente para garantir a previdência de milhares de trabalhadoras e trabalhadores. O objetivo desse dossiê é subsidiar uma investigação da Polícia Federal”, afirmou.

Durante a entrevista, Izael também cobrou celeridade das autoridades e lembrou que operações envolvendo o Banco Master já alcançaram outros estados.

“A Polícia Federal já realizou ações no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. Queremos que Maceió também seja investigada. Foi um dos municípios que comprou essas letras financeiras do Banco Master e toda essa situação precisa ser esclarecida. O mais importante é que esse dinheiro retorne para os cofres da previdência”, declarou.

As entidades sindicais sustentam que eventual prejuízo ao patrimônio do IPREV não afeta apenas os segurados, mas pode atingir toda a população de Maceió. Isso porque uma insuficiência financeira do fundo previdenciário poderá exigir aportes futuros do Tesouro Municipal para garantir o pagamento das aposentadorias.

O presidente do Sinteal também criticou a falta de respostas sobre o caso e cobrou explicações tanto da gestão em que o investimento foi realizado quanto da atual administração.

“Quem vai pagar essa conta? Não pode ser o trabalhador e a trabalhadora que contribuíram durante toda a vida. Queremos respostas do ex-prefeito JHC, que estava à frente da Prefeitura quando o investimento foi feito, e também da atual gestão. O que não pode acontecer é esse dinheiro desaparecer sem que ninguém seja responsabilizado”, afirmou.

Izael também criticou as iniciativas judiciais movidas por JHC contra veículos de comunicação que divulgaram informações sobre o caso Banco Master.

“A população tem o direito de saber o que aconteceu com o dinheiro das aposentadorias. Não é censurando a imprensa que essa discussão vai acabar. Pelo contrário. É preciso transparência para que os servidores e toda a sociedade saibam o que foi feito com esses recursos”, disse.

Ao final do documento protocolado na Polícia Federal, os sindicatos destacam que tiveram dificuldades para acessar documentos considerados essenciais para a completa reconstrução dos fatos e defendem que a investigação federal seja capaz de esclarecer quem autorizou os investimentos, quais análises de risco foram realizadas e quais medidas serão adotadas para garantir a proteção dos recursos previdenciários dos servidores municipais.


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