Novo boletim da Sudene revela queda nos homicídios em Alagoas, mas estado ainda enfrenta violência letal acima da média nacional

Por Redação 29/11/2025 15h03
Por Redação 29/11/2025 15h03
Novo boletim da Sudene revela queda nos homicídios em Alagoas, mas estado ainda enfrenta violência letal acima da média nacional
Homicídio em Arapiraca - Foto: Josival Menezes/ Já é Notícia

O mais recente boletim temático da Sudene, baseado nos dados atualizados do Atlas da Violência 2025 (IPEA e FBSP), acende um novo sinal de alerta sobre a segurança pública em Alagoas. Embora o estado tenha registrado uma das quedas mais expressivas de homicídios da última década, os índices permanecem entre os mais altos do país e do próprio Nordeste.

O relatório mostra que, entre 2013 e 2023, Alagoas reduziu sua taxa de homicídios de 66,3 para 35,3 por 100 mil habitantes — a queda mais brusca da região no período. Apesar disso, o número ainda é muito superior à média nacional, de 21,2, e acima do índice nordestino, de 32,1.

Segundo a Sudene, a violência letal no Brasil teve seu pico em 2017, com 65.602 assassinatos. No mesmo ano, o Nordeste atingiu 27.815 mortes — o maior número da série. De lá para cá, o país registra tendência de queda, mas ainda marcada por desigualdades profundas, e Alagoas reflete esse contraste: melhora consistente, mas patamar ainda crítico.

A letalidade por armas de fogo também retrata a complexidade da violência no estado. De 2013 a 2023, o índice alagoano caiu de 57,4 para 27,6 homicídios por arma de fogo por 100 mil habitantes — uma redução de quase 50%. Ainda assim, Alagoas segue entre os estados mais impactados por esse tipo de crime, em uma região que concentra metade dos homicídios por armas de fogo no Brasil.

Segundo o boletim, jovens de 15 a 29 anos continuam sendo as principais vítimas da violência letal. Em Alagoas, essa faixa etária registrou, em 2023, uma taxa de 79,50 homicídios por 100 mil habitantes — número ainda elevado, embora menor que o índice de 146,30 registrado em 2013. As vítimas negras seguem as mais atingidas, reforçando o padrão nacional em que cor e vulnerabilidade social determinam o risco de morte.

O relatório também destaca a persistência da violência de gênero. No Nordeste, a queda no homicídio de mulheres foi menos significativa que no restante do país, e Alagoas acompanha essa tendência histórica de risco. Ainda assim, o estado apresentou avanços importantes: reduziu em 47,2% os homicídios femininos, de 142 para 75 em dez anos. E, segundo os dados repassados, zerou os homicídios de crianças de 0 a 4 anos em 2023 — um marco simbólico, embora especialistas alertem para a subnotificação e para a vulnerabilidade infantil no país.

Acesse o Boletim completo clicando aqui: Boletim Sudene